Lista de desejos

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Ícones da arquitetura pedem e designers criam: eis o desafio lançado por Sir Terence Conran em Londres

Vasos de carvalho criados por Gareth Neal para Zaha Hadid

Vasos de carvalho criados por Gareth Neal para Zaha Hadid Foto: Divulgação

Amigos dele são, claro, alguns dos mais renomados arquitetos e designers da Grã-Bretanha: Paul Smith, Norman Foster, Amanda Levete, John Pawson, Alison Brooks, Zaha Hadid, Alex de Rijke, Allen Jones e Richard Rogers, para citar só alguns. Mas, para além de toda a tradição, o que Sir Terence Conran – fundador do mítico The Conran Shop, da rede Habitat e da Benchmark – tem é um faro raro para detectar boas oportunidades de ação.

Prova disso foi seu projeto idealizado para o Victoria & Albert Museum (V&A) durante a última edição do Festival de Design de Londres, em setembro. Uma consistente iniciativa de difusão do design, que teve como ponto de partida uma simples mensagem endereçada pelo empresário a seu seleto grupo de colegas, na qual ele questionava o que eles sempre quiseram ter em suas casas. Mas nunca haviam encontrado.

Nascia assim Wish List (lista de desejos): uma coleção de dez objetos produzidos nas oficinas da sua Benchmark, projetados por um grupo de designers selecionados por Conran para atender aos desejos de cada um de seus amigos. Como única exigência, a obrigatoriedade de uso de madeiras de lei americanas, sob supervisão da American Hardwood Export Council (conselho americano de exportação de madeira).

“O resultado superou minhas expectativas. Despertou o interesse dessas lendas do design, que manifestaram vivo interesse em contar com as peças em suas coleções particulares, e ainda representou uma oportunidade única para os designers convidados de trabalhar de perto com verdadeiros mestres artesãos”, declarou o empresário durante a inauguração da mostra em Londres.

“O que esses grandes nomes do design e da arquitetura têm em comum é a capacidade de forçar os limites do possível. Acredito que os participantes captaram bem essa lição”, afirmou Sean Sutcliffe, cofundador da Benchmark.

Gwendolyn e Guillane Kerschbaumer, do Studio Areti, desenharam um conjunto completo para os interiores do arquiteto John Pawson, incluindo prateleiras de nogueira, uma porta de carvalho, ganchos e interruptor de luz. 

Também pensando em arquitetura, Richard Rogers e seu filho Ab Rogers solicitaram uma escada na qual pudessem sentar e trabalhar. No que foram atendidos por Xenia Moseley. “Eles me pediram uma escada que funcionasse como ume espécie de poleiro e fosse confortável o suficiente para escrever, comer e trabalhar”, contou Moseley. “Decidi que a estabilidade seria emprestada da arquitetura e resolvi apoiar a peça em uma superfície vertical, fosse uma parede ou uma estante.” 

Trabalhando em outra escala, Norie Matsumoto criou delicados apontadores de lápis para equipar a escrivaninha de Norman Foster. Win Assakul desenhou um longo prato para as refeições da arquiteta Amanda Levete e Felix de Pass, bancos surpreendentemente elegantes para a cozinha do arquiteto Alison Brooks.

Dois vasos de carvalho foram esculpidos à mão por Gareth Neal para compor a decoração da exigente Zaha Hadid, enquanto Nathalie de Leval projetou e construiu um jardim personalizado para o estilista Paul Smith. Rob Barnby e Lewis Day criaram uma mesa de jantar circular para a sala do arquiteto Alex de Rijke e Lola Lely, uma espreguiçadeira incomum para a designer Allen Jones.

A pedido do próprio Conran, Sebastian Cox desenhou uma área de trabalho equipada com mesa-casulo e um complexo de estantes. “Gosto da ideia de ser encapsulado para projetar ou escrever em paz. Adorei o móvel. Não vou mais ter de fugir para minha estufa na hora em que quiser me refugiar”, brincou ele.