Invasão D&D em São Paulo

Jennifer Gonzales - O Estado de S.Paulo

Cinco marcas de outros Estados trazem sua expertise no setor de decoração para o maior mercado do País

O crescimento da economia e a movimentação no setor imobiliário vêm estimulando empresas de decoração de diferentes Estados a abrir filiais em São Paulo. Para competir nesse mercado - um dos mais sofisticados do País -, as recém-chegadas investiram em alta tecnologia, materiais de primeira, design inovador e, claro, boa localização. "Até como referência é importante ter uma loja em São Paulo", diz Dayane Hadas, designer e proprietária da paranaense Artesian, que se instalou na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, em junho passado.Recheado de clássicos do design, caso das poltronas LC2, de Le Corbusier, e Egg, de Arne Jacobsen, este espaço de 500 m² também comercializa peças reproduzidas na sua fábrica, em Campo Largo, a 30 km de Curitiba. "Nossa proposta é produzir móveis com preços competitivos, sem descuidar da qualidade e do respeito às características originais", diz Dayane Hadas. Segundo ela, a Artesian adquiriu maquinário de ponta para desenvolver os torneados dos móveis e levou um ano e meio para reproduzir modelos à altura do padrão internacional. Entre eles, a Lounge Chair e a Ottoman, de Charles e Ray Eames (R$ 6,6 mil), a poltrona Shell, de Hans Wegner (a partir de R$ 2.684) e a cadeira Formiga, de Arne Jacobsen (R$ 440). Antes de chegar a São Paulo, a Tidelli, fabricante de móveis para áreas externas com sede em Salvador, abriu 25 lojas no País (a maioria franquias) e começou a exportar para Uruguai, Chile, Estados Unidos e Austrália, entre outros. Foi em novembro passado que os proprietários Luciano e Tatiana Mandelli abriram um showroom no casarão de 1,5 mil m² no Alto de Pinheiros. "Decidimos consolidar nossas operações no resto do Brasil em uma primeira fase", explica Luciano. "São Paulo é o mercado mais competitivo e queríamos chegar com o mobiliário completo." Os móveis - que somam 14 linhas - têm estrutura de alumínio com pin-tura eletrostática e fibras sintéticas da Indonésia (PVC e polietileno) semelhantes às fibras naturais. Preços: de R$ 300 (cadeira Triflex) a R$ 11,9 mil (chaise Java).No caso da mineira Scatto Lampadário, a produção de luminárias - assinada por Rita Valladares, que aposta no uso diferenciado dos cristais - era exclusiva para lojistas e decoradores de Belo Horizonte. Três anos atrás, porém, a designer decidiu abrir uma loja na capital mineira. "O negócio foi tão bem que resolvi inaugurar um ponto em São Paulo", lembra Rita. Modelos como Adda Black (0,80 m x 0,60 m; R$ 14,5 mil), Galho (1 m de diâmetro; R$ 6,2 mil) e Volare (1,30 m x 0,80 m; R$ 6,3 mil) já conquistaram a Holanda e os Estados Unidos, para onde a Scatto exporta desde 2005. "Os componentes de inox são feitos à mão", explica Rita.Matriz em Recife - e LondrinaEm outubro último, foi a vez de a pernambucana Desiderato (que tem fábrica e loja abertas há dois anos e meio em Recife) chegar a São Paulo com a proposta de comercializar móveis planejados para dormitórios e cozinhas. O diferencial da marca, segundo o diretor comercial Gustavo Pinto, é o "apelo minimalista das peças, a tecnologia italiana e os preços competitivos". Na Gabriel Monteiro da Silva, o térreo de seu showroom é dedicado às linhas sofisticadas (que empregam, por exemplo, ferragens e folhas de madeira importadas da Itália), enquanto o primeiro piso está reservado ao mobiliário de preço econômico. Um projeto de cozinha planejada, que inclui armários, bancadas e gavetas, pode custar de R$ 30 mil a R$ 150 mil.No caso do belgo-holandês Edmond van Wijngaarden, economista que chegou ao Brasil em 1998 para trabalhar em banco de investimentos, ele se apaixonou de tal forma pela madeira antiga do País que largou o que fazia para criar a Velho Brasil, especializada em móveis de madeira de demolição. "Acreditei que podia usar essa matéria-prima na produção de mobiliário com design contemporâneo", diz Edmond, que abriu a fábrica em Londrina, em 2002. Nos primeiros cinco anos, a companhia paranaense dedicou-se à exportação (Europa e Estados Unidos), até inaugurar, em outubro de 2007, o showroom no bairro de Pinheiros. O empresário, que desenha boa parte das peças - fez design de móveis na Holanda -, tem contratado profissionais para desenvolver linhas especiais, caso do arquiteto João Mansur. São da marca Velho Brasil o aparador Carrée (R$ 4.520; 1,70 m x 0,52 m), o tamborete Cosmopolite (R$ 1.240; 0,50 m de diâmetro) e pisos que dispensam o uso de pregos e parafusos para a fixação (a partir de R$ 280 o m² instalado).