Idéias que vêm do Tibete

Roberto Abolafio Jr. - O Estado de S.Paulo

Animal-símbolo daquela província chinesa, o tigre inspira nova coleção de tapetes da By Kamy, que será lançada dia 8. Modelos evocam nobreza, misticismo e poder

Ao visitar uma biblioteca em Londres, há um ano e meio, a arquiteta Francesca Alzatti deparou com o livro The Tiger Rugs of Tibet ("Os Tapetes de Tigre do Tibete"), de Mimi Lipton e Cyril Barret. Editada pela Hardcover, a obra (esgotada) traz 108 modelos de tapetes concebidos por anônimos, de monges a gente comum, a partir do século 7. Os modelos retratam facetas do animal-símbolo daquela província chinesa e evocam nobreza, misticismo, poder. "Enlouqueci quando vi as imagens", relembra a profissional, responsável pelo ateliê da By Kamy - que criou uma coleção inspirada nos felinos, antecipada com exclusividade pelo Casa&. "Os Tigres da By Kamy", com lançamento previsto para a próxima quinta-feira, dia 8, consumiram um ano de pesquisa e desenvolvimento. São 40 tipos de tapetes e 25 desenhos com formas inspiradas na pele, no esqueleto, na cabeça e no corpo do animal, além de listras abstratas ou onduladas. O m² custará de R$ 1.500 a R$ 2 mil.Refugiados do Tibete no Nepal, na região do Himalaia, segundo a arquiteta, confeccionam artesanalmente as peças, que exibem um visual revitalizado se confrontadas com as originais. Em vez de serem feitas apenas de seda e lã, há também a mistura de fibras naturais, como urtiga e cacto. No lugar de cores fortes (azul-escuro, vermelho, laranja, ocre e ouro), abre-se espaço para amenos "tons da floresta" - fruto da produção feita com 80% das matérias-primas em estado natural, sem qualquer tingimento. Além disso, os tapetes usam técnicas milenares de ponto fino, cuja textura e volumetria variam de acordo com o material empregado. E mais: "Dependendo da incidência de luz, a aparência muda, como se fosse a pele de um tigre", compara Francesca Alzatti.