Galeria de arte recebe nova coleção de Pedro Useche

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Um dos primeiros profissionais a levantar a bandeira do móvel autoral, o venezuelano Pedro Useche lança na próxima quinta-feira, 14, sua mais nova coleção de móveis, na galeria de arte You, na Vila Madalena

O revisteiro Eixo

O revisteiro Eixo Foto: Rubens Shiromaro

Um dos primeiros profissionais a levantar a bandeira do móvel autoral e assinado, o venezuelano Pedro Useche lança na próxima quinta-feira, 14, sua mais nova coleção de móveis. Pela primeira vez, em uma galeria de arte, a You, na Vila Madalena que, desde 2009 aborda o segmento de decoração e, a partir de agora, passa a difundir também a produção do designer. “Tudo aconteceu inconscientemente. Arquiteto por formação, projetei alguns móveis para minha casa e as pessoas que viam, gostavam. Resolvi inscrever minha cadeira Mulher no concurso do Museu da Casa Brasileira de 1988 e ganhei uma menção honrosa. Foi a partir deste momento que teve início o meu percurso como desenhador de móveis”, relembra Useche, bastante entusiasmado com a abertura de um espaço exclusivo para expor suas criações. “A meu ver o mercado está um pouco saturado, porém, a qualidade do design feito no Brasil evoluiu enormemente”, considera ele, que comentou seu atual momento nesta entrevista exclusiva ao Casa

O designer venezuelano Pedro Useche

O designer venezuelano Pedro Useche Foto: CÉLIA USECHE

O que motivou a escolha de uma galeria de arte para o lançamento da sua nova coleção? Para você design é, ou pode, ser arte?

Na realidade não se trata de uma exposição. A ideia é mostrar meus mais de trinta anos de produção em um único espaço. Móveis que tem como proposta estética ser atemporais. Quanto à sua segunda questão, se partimos da premissa que um dos objetivos da arte é emocionar, sim. Um móvel com proporções equilibradas e belas pode se inserir nesta perspectiva. Apenas acredito que ele não deve nunca abrir mão da função para a qual foi criado. Existem peças de design que você observa e não têm cara de móvel, pois são verdadeiras esculturas, porém, funcionam como excelentes suportes para o corpo. Por outro lado, existem peças com visual de cadeira sobre as quais é impossível se sentar, daí só restando a contemplação mesmo.

A mesa Bongo

A mesa Bongo Foto: Rubens Shiromaro

A quais necessidades um móvel feito para os dias de hoje deve atender?

Como você já deve ter percebido, gosto de chamar o móvel de suporte. Suporte do corpo, tais como cadeiras, poltronas, sofás; suporte para realizar atividades, normalmente em planos horizontais, como no caso das mesas, bancadas, prateleiras. Acredito que em nossos dias todo espaço tem a capacidade de absorver as atividades do homem, logo, um móvel bem projetado deve se adaptar às mais variadas situações. Você pode, por exemplo, estar confortavelmente sentado no sofá de sua casa e resolver trabalhar no computador. Cabe ao móvel deve responder bem a ambas as necessidades.

Diante de usuários que cada vez mais exigem móveis versáteis, qual a fórmula para desenvolver peças capazes de se integrar, indistintamente, a ambientes corporativos, colaborativos ou residenciais?

Não existe fórmula. É sempre um desafio conseguir soluções estruturais diferentes no projeto dos suportes que vão servir ao corpo humano. Como falei anteriormente, não vejo porque diferenciar um móvel em função do ambiente em que ele vai ser disposto. Aliás, os espaços corporativos hoje estão se tornando cada vez mais residenciais.

A poltrona Noa

A poltrona Noa Foto: Rubens Shiromaro