Futuro digital

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Designer carioca apresenta sua mais nova coleção de móveis de madeira e comenta a evolução do design brasileiro

O designer Guto Indio da Costa

O designer Guto Indio da Costa Foto: Wagner Ziegelneyer

Carioca, formado em desenho industrial pelo Art Center College of Design, na Califórnia, Guto Indio da Costa assistiu de perto a evolução do design nacional nas últimas décadas. Hoje à frente do núcleo de design da Indio da Costa A.U.D.T. (Arquitetura, Urbanismo, Design e Transporte), foi responsável pelo projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da cidade do Rio. Na High Design Expo, encerrada dia 30, ele acaba de apresentar a linha Machina & Manus, onde ensaia uma simbiose possível entre técnicas manuais e industriais na produção de móveis, conforme ele relata nesta entrevista exclusiva ao Casa.

Como vê o desenvolvimento do design nacional nas últimas décadas?

Talento sempre tivemos, mas percebo um amadurecimento constante por parte da nova geração. Muitos se formaram fora do Brasil, como é o meu caso, e trouxeram a bagagem cheia de novos conhecimentos. As faculdades também melhoraram muito, houve um aprimoramento expressivo de nossas fábricas e, por fim, a comunicação com qualquer parte do mundo se tornou instantânea. Tudo isso contribuiu para a melhoria do ‘Made in Brazil’. Hoje temos aqui produtos de nível internacional. 

Ultimamente você diz preferir conhecer as possibilidades produtivas de cada empresa para só depois projetar. Como isso acontece?

É mais ou menos isso. No início da minha carreira eu era contratado pelos fabricantes para projetar produtos específicos. Hoje, isso ainda acontece, mas em muitos outros casos sou eu quem provoca a indústria a seguir novos caminhos. Passei a ser um agente ativo, fomento a inovação e trago a indústria a reboque. 

Acredita que no futuro o produto ideal conterá elementos ‘handmade’ e industriais?

De certa forma sim. A coleção Machina & Manus que acabei de lançar partilha esses dois mundos, daí o nome. Mas trata-se de uma dualidade não conflitante e sim da soma de processos industriais e artesanais. No entanto, não acredito que isso seja uma regra geral. Nesse sentido, penso que o futuro está no digital. A indústria vai adotar cada vez mais processos digitais de produção, o que tende a miniaturizar e simplificar brutalmente tudo o que conhecemos, a começar pelas próprias máquinas. 

Vista superior da poltrona Ava, de madeira em dois tons, esculpida digitalmente e finalizada à mão

Vista superior da poltrona Ava, de madeira em dois tons, esculpida digitalmente e finalizada à mão Foto: Wagner Ziegelneyer