Evento em SP discute função social do design

- O Estado de S.Paulo

Conferência, que reúne profissionais de diferentes áreas, é realizada pela primeira vez fora da Holanda

O organizador do evento, Richard van der Laken, e o chef Alex Atala no evento em Amsterdã

O organizador do evento, Richard van der Laken, e o chef Alex Atala no evento em Amsterdã Foto: Divulgação

Criado há cinco anos em Amsterdã, na Holanda, o evento What Design Can Do (WDCD) chega a São Paulo, onde é realizado até amanhã (8/12), no Teatro Faap. A conferência reúne profissionais de variadas áreas de atuação - de designers de móveis e a chefs - para debater e trocar experiências sobre como o design pode ajudar a resolver problemas sociais. “Muitas pessoas já se convenceram de que o design é muito mais que um exercício estético”, afirma Richard van der Laken, fundador do evento, que conversou com o Casa

Por que São Paulo foi escolhida para ser a primeira cidade a receber o evento fora da Holanda?

Criei o evento há cinco anos em Amsterdã. Uma das razões é que a Holanda é um país muito desenvolvido na área do design, mas por uma ou outra razão não havia nenhum congresso ou reunião importante no campo do design internacional. Depois de cinco anos observei que a questão sobre o que o design realmente pode fazer é muito mais importante em países emergentes, como o Brasil. Aqui temos um ambiente de design grande, vívido e vigoroso, mas também um sociedade com grandes problemas de pobreza, acesso à água, mobilidade, na verdade, todos os tipos de problemas urbanos. Ppor essas razões, São Paulo seria o próximo passo lógico.

Como o design pode ajudar a melhorar a vida em cidades como São Paulo?

São Paulo tem muitos e enormes desafios a serem resolvidos. Dê aos designers um problema e eles verão nisso uma oportunidade de “fazer” coisas. E eles também podem traduzir problemas em soluções tangíveis e práticas. No tocante à mobilidade, por exemplo, os designers podem tornar a bicicleta em São Paulo algo muito agradável. Podem criar bikes inovadoras, acessórios para bicicletas, direção inteligente, soluções de segurança, etc. E também é bom pensar pequeno. Se as soluções funcionarem no plano micro, elas podem se transformar em algo grande. Não existe uma grande solução para a pobreza ou para a mobilidade. Veja a energia solar. Você próprio pode produzi-la com seu vizinho. O mesmo vale para a agricultura urbana. Os designers criam todos os tipos de possibilidades para isto.

Como o senhor vê o trabalho de designers brasileiros em relação a questões sociais?

O Brasil é um país muito consciente e com forte ligação com sua herança e natureza. Há muitos designers que assumem sua responsabilidade e usam seus talentos para melhorar a vida, resolver problemas sociais e fazem isso com rigor e muita paixão e criatividade. No palco do WDCD já tivemos quatro deles: Marcelo Rosenbaum, Fabio Lopez, Alex Atala e Bebel Abreu.

Como os designers podem expandir sua atuação e dar importância social ao seu trabalho?

Os designers e criativos no geral devem olhar além da sua própria disciplina e do projeto no qual estão trabalhando. Na verdade eles têm de olhar a cadeia inteira da qual fazem parte. Onde obtenho minhas commodities, quem as fornece? Para quem estou fazendo isto? Posso produzir isso de uma maneira que valoriza as pessoas e mantém o meio ambiente intacto? E no caso de a pessoa trabalhar em comunicação: esteja consciente de que você, como designer, tem acesso à mídia de massa. Isso envolve uma certa responsabilidade. Por último, mas também importante: faça-o com prazer, divirta-se e seja criativo. Esse é o poder maior de sedução que os designers têm. 

Como tem sido a experiência de reunir profissionais de diferentes áreas para discutir design?

Minha ideia foi reunir toda a área internacional do design. E também juntar designers, organizações governamentais e empresas. Os designers não podem resolver os problemas do mundo. É uma cadeia de eventos e uma joint venture composta de designers, indústria, governo e, naturalmente, o usuário, o público, o consumidor. Os últimos cinco anos foram empolgantes porque realmente conseguimos juntar grandes cabeças e grandes designers. Eles compartilharam suas ideias com o público. No momento, estamos trabalhando com o Ministério da Justiça da Holanda sobre como o design pode ajudar em problemas como violência e crime. Nossa primeiro grande evento será um desafio global sobre a maior crise humanitária deste momento: What Design Can Do For Refugees (O que o Design pode fazer pelos refugiados). /Tradução de Terezinha Martino 

Os irmãos Humberto e Fernando Campana no evento em Amsterdã

Os irmãos Humberto e Fernando Campana no evento em Amsterdã Foto: Divulgação