Escola brasileira ganha prêmio de melhor edifício do mundo

Ana Lourenço - O Estado de S.Paulo

O complexo sustentável no Tocantins foi desenhado pelos arquitetos Aleph Zero e Marcelo Rosenbaum

O edifício é um complexo escolar chamado “Aldeia das crianças”, da fazenda Canuaña no Formoso do Araguaia, em Tocantins.

O edifício é um complexo escolar chamado “Aldeia das crianças”, da fazenda Canuaña no Formoso do Araguaia, em Tocantins. Foto: Leonardo Finotti

Na última terça-feira, 20, uma escola rural brasileira foi considerada o melhor edifício do mundo, ganhando o prêmio internacional Royal Institute of British Architects (RIBA) de 2018. O edifício é um complexo escolar chamado “Aldeia das crianças”, da fazenda Canuaña no Formoso do Araguaia, em Tocantins. Em fevereiro deste ano, o projeto também recebeu o prêmio de Arquitetura Educacional, da Building of the Year 2018.

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Segundo a renomada arquiteta, e júri do prêmio RIBA de 2018, Elizabeth Diller, o melhor prédio do mundo necessita impressionar. “É preciso que o edifício nos tire dos problemas cotidianos para algo desafiador que nos ensine porque a arquitetura ainda é relevante”, afirma. O complexo desenhado pelos arquitetos da Aleph Zero, Gustavo Utrabo e Pedro Duschenes, em parceria com Marcelo Rosenbaum e Adriana Benguela, do estúdio de arquitetura e design Rosenbaum, cumpre perfeitamente com tal premissa uma vez que é inteligente, bonito e social. 

Financiado pela Fundação Bradesco, a Aldeia das Crianças é uma das 40 escolas dirigidas pela Fundação com o objetivo de proporcionar educação para crianças em comunidades rurais de todo o Brasil. Os edifícios são rigorosos em termos de engenharia e planejamento e completamente racional em questão de estrutura e material. O espaço ao redor da escola é casa de três biomas diferentes - o cerrado, a floresta amazônica e o pantanal -, valorizando a natureza e a cultura em que está inserida.

A Aldeia das Crianças, dividida em vilas femininas e masculinas, fornece alojamento para 540 crianças com idades entre 13 e 18 anos. A zona rural cumpre a função de circular e iluminar o local, que abstem-se de vidros e ar condicionado. Os dormitórios são enclausurados em nove grupos de cinco estruturas de tijolo de adobe com telhados metálicos brancos levemente inclinados, para lidar com a chuva tropical, e apoiados em colunas de madeira de eucalipto laminado. O edifício é pensado para que a água evapore através dos tijolos perfurados, enquanto a água da chuva derramada do telhado  é recolhida em uma piscina com pequenos peixes locais em um pátio central. Posteriormente, a água fluvial é canalizada para o Rio Javaés.

Para saber mais, não perca o caderno Casa no próximo domingo (25). A edição contará com uma entrevista exclusiva com Marcelo Rosenbaum.