Equilíbrio de cores

Marcelo Lima - O Estado de S. Paulo

Apesar do uso de muitas tonalidades, resultado visual é harmonioso em estúdio de 35 m²

A varanda, hoje ocupada como área de trabalho pelo morador

A varanda, hoje ocupada como área de trabalho pelo morador Foto: Lufe Gomes

O bairro de Santa Cecília, especialmente nos arredores do Minhocão tem recebido, nos últimos anos, um considerável afluxo de novos moradores, especialmente, jovens. Solteiro e autor de novelas, o dono deste apartamento de 35 m², adora receber os amigos para longas sessões de cinema. Mas também não abre mão de desfrutar de toda tranquilidade necessária a seus momentos de trabalho em casa.

“Ele me deixou completamente livre para criar, mas apontou algumas diretrizes básicas, tais como o uso equilibrado da cor, a busca por espaços mais amplos, o desejo de ter um dormitório isolado do living, além de um local específico para escrever suas histórias”, conta o autor do projeto, o arquiteto Renato Mendonça

Para atingir estes objetivos, não foram poucas as mudanças sofridas pelo imóvel. Mas, fundamentalmente, a inspiração para a maioria delas partiu do piso cimentício, com pigmentação rosa, que reveste todo o apartamento. 

“Meu maior desafio foi trabalhar a cartela de cores da decoração sem deixar o apartamento cansativo. Fizemos muitos testes com o cimento até atingir o tom ideal. Acertar na tonalidade exata do rosa não foi nada fácil. Por fim, chegamos a uma mais suave e queimada, com uma pitada de bege”, conta Mendonça. Já as cores mais fortes, empregadas sobretudo na cozinha, se derivam dos tons primários empregados por Tarsila do Amaral em sua célebre pintura Abaporu, de 1928, reproduzida em uma das gravuras do acervo do proprietário. 

Unificados pela cor do piso, living, cozinha e varanda foram assim completamente integrados. Ao contrário da suíte, que apesar dele, se manteve reservada, para atender à privacidade exigida pelo cliente. Por fim, para aproveitar ao máximo a luz natural e a vista inspiradora da cidade, o escritório foi posicionado na varanda.

Todas as paredes internas tiveram de ser eliminadas para atingir a sensação de amplitude almejada pelo morador. Por razões estruturais, entre o living e a varanda, apenas o pilar existente foi mantido. Preciosos centímetros foram ganhos no box pela eliminação de uma divisória, sendo que o banheiro, integralmente revestido de cerâmica na cor capuccino, se abre diretamente para a suíte. 

Como diferencial, a parede da cabeceira da cama foi intencionalmente pensada como uma extensão do banho, recebendo o mesmo revestimento cerâmico. Até mesmo o nicho que percorre os dois ambientes segue semelhante alinhamento e recebe a mesma iluminação.

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“Luz é fundamental em qualquer projeto”, pontua Mendonça que nesse caso optou pela não utilização de forro nas áreas do living e da suíte, abrindo mão do uso de spots embutidos e reforçando o estoque de luminárias móveis e peças avulsas em pontos estratégicos. 

“Optei por iluminação indireta e direcionada apenas onde ela fosse, de fato, necessária. Ao contrário do que se pensa, acredito que até a luz natural deve ser controlada. Tudo depende do uso ao qual cada espaço se destina”, afirma o arquiteto, citando como exemplo o escritório do apartamento instalado na varanda.

“Devido à sua posição, o ambiente recebe luz do sol de forma direta. Como meu cliente precisa trabalhar no computador, isso não é nada adequado. Por isso, instalei cortinas rolô com proteção solar para deixar a luz natural menos agressiva e evitar reflexos na tela.” .