Entre o Brasil e a Suíça: conheça o designer Christoph Jenni

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Profissional carioca, radicado na Suíça, apresenta seus móveis para ambiente residenciais e corporativos

Poltrona e banqueta Sapo, para a Interio AG.

Poltrona e banqueta Sapo, para a Interio AG. Foto: Estúdio Christoph Jenni

Autodefinindo-se como um carioca, mas com raciocínio moldado pelos anos vividos na Suíça, o designer Christoph Jenni diz se interessar tanto pelos aspectos conceituais, quanto os técnicos de seu ofício. “A decisão de como fazer, a parte analítica, vem de lá”, afirma Jenni, filho de suíços, nascido no Rio e hoje radicado em Aarau. A capital do Cantão de Argóvia, onde mantém estúdio próprio e desenvolve móveis de alcance global, residenciais e corporativos, para empresas como a italiana Maxdesign e a brasileira F.Way. Como ele detalha nesta entrevista exclusiva ao Casa.

 

A cadeira empilhável Appia, para a Maxdesign e, à direita, a poltrona Ayra, para a F.Way.

A cadeira empilhável Appia, para a Maxdesign e, à direita, a poltrona Ayra, para a F.Way. Foto: Estúdio Christoph Jenni

 

Você já descreveu seu trabalho como uma síntese de suas vivências entre o Brasil e Suíça. O que ficou de cada uma delas?

Como eu passei meus primeiros quatorze anos de vida no Rio de Janeiro, convivendo com tudo que envolve o viver carioca, me sinto como tal. Penso que meu lado que reage instintivamente ficou sendo brasileiro e isso pode ser visto no modo que interpreto as formas em geral. Eu desenho de modo mais brasileiro, digamos mais para Niemeyer do que para Le Corbusier. Gosto do traço volumoso, sensual, menos rígido, menos sério. A parte suíça se refere mais à minha educação profissional. O que se pensa do suíço é bem preciso. Ele costuma ser super exato no que faz e creio que minha parte analítica vem desta formação.

 

​Baseado na sua experiência nos dois setores, o que fundamentalmente difere o móvel projetado para o ambiente residencial e para o corporativo? 

Diria que nos últimos anos os dois setores se aproximaram muito, porém, algumas diferenças vão ficar para sempre. A maior delas é, sem dúvida, a intensidade de uso à qual o móvel corporativo é submetido. Disso derivam várias decisões de design que acabam por particularizar o móvel, tais como a escolha da estrutura, dos estofados, dos acabamentos em geral. Pensando em uma cadeira tipo espreguiçadeira, por exemplo, o desenho de um modelo residencial pode ser bem mais relaxado e informal do que um corporativo, que acaba sendo destinado mais a uma rápida soneca do que a um longo período de relaxamento. Em resumo, os dois mundos estão mais próximos, mas algumas particularidades ainda vão permanecer.

 

​Você atua como professor em Lucerna, na Suíça. Como vê a atividade acadêmica e o que ela tem acrescentado à sua atuação como designer?

Para mim é uma oportunidade de retribuir algo que eu também recebi. Espero poder compartilhar um pouco da minha experiência com os alunos. Além disso, me dá oportunidade de discutir com os jovens e de ver como eles pensam.

 

O designer carioca, radicado na Suiça, Christoph Jenni.

O designer carioca, radicado na Suiça, Christoph Jenni. Foto: Estúdio Christoph Jenni