Em sinergia com Milão

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Claudio Luti, presidente da Kartell, uma das líderes do setor de móveis de plástico e, novamente, presidente do Salão do Móvel, acredita no valor estratégico do evento para Milão

Ilustração apresenta os interiores da instalação Living Nature, uma das mais aguardadas da temporada.

Ilustração apresenta os interiores da instalação Living Nature, uma das mais aguardadas da temporada. Foto: Salão do Móvel de Milão

A 57ª edição do Salão do Móvel de Milão, encerrada domingo passado, assinalou um ponto de inflexão para seus promotores. Assentado sobre aspectos bem precisos, um manifesto assinado por todos, lançou as bases de uma nova maneira de relacionar o salão e a cidade, com vistas a consolidar seu processo de internacionalização e assegurar sua liderança global. Entusiasta da ideia, o italiano Claudio Luti, presidente da Kartell, uma das líderes do setor de móveis de plástico e, novamente, presidente do Salão do Móvel, acredita no valor estratégico do evento para Milão. “ Tenho como prioridade fortalecer os laços que nos unem à cidade”, como afirmou durante essa entrevista na qual faz um balanço da última edição e antecipa os seus principais objetivos para os próximos anos.

Como o senhor vê o Salão do Móvel de Milão e, de modo expandido, a Semana de Design?

Penso que, antes de tudo, o Salão do Móvel é uma emoção: transmite positividade, entusiasmo, empatia. As empresas se orgulham de investir em um evento que será foco da atenção mundial, enquanto arquitetos e designers se esforçam para preparar os melhores projetos. Por tudo isso, acabou por se tornar uma atração global. Quanto aos eventos que acontecem fora da nossa mostra, prefiro vê-los não como antagonistas, mas como olhares diversos sobre um mesmo tema e, até por isso, faz sentido que nos aproximemos sempre mais da cidade. 

Em que consiste esta estratégia?

Basicamente, partimos de duas constatações: primeiro, a de que o Salão do Móvel não é só uma feira, mas um amplo sistema de conexões e trocas que ocorre dentro e fora dos pavilhões de Rho-Pero. Da mesma forma, a cidade não pode prescindir da realização de nosso evento. Ou seja, para nós, e nosso público, não existe Milão sem o Salão, nem Salão, sem Milão. Assim, este ano, além de Living Nature, uma mostra oficial, assinada por Carlo Ratti, instalada no coração de Milão, a praça do Duomo, vamos entregar a terceira edição do prêmio Salone del Mobile – distinção criada para dar reconhecimento aos empresários e designers participantes – no emblemático Palazzo Marino, sede da administração local.

A poucos dias do fim desta edição, qual seu balanço da edição deste ano do Salão do Móvel?

Os primeiros números são animadores. Nos seis dias de evento devemos chegar bem próximos dos 500 mil visitantes, vindos de mais de 150 países, o que significa um aumento de cerca de 25% em relação ao ano passado. Estamos muito orgulhosos deste sucesso, o que confirma que o salão é, de fato, um ponto de referência. Da mesma forma, o afluxo de público à nossa mostra oficial na cidade superou todas nossas melhores expectativas, o que confirma que estamos no caminho certo em relação a reforçar nossa presença na cidade.