Em fluxo constante

Jess Chamberlain - O Estado de S.Paulo

Se a casa de Brian e Jill Faherty lembra um pouco um catálogo, há uma boa razão para isso: Brian é dono da Schoolhouse Electric & Supply Co., a empresa de iluminação e utilidades domésticas baseada em Portland, no Estado americano de Oregon, e é na sua casa estilo rancho que a maioria dos catálogos é fotografada.

Mas ela é também onde ele testa produtos em desenvolvimento e onde ele e a mulher estão criando três filhos (J. P., de 12 anos; Greta, de 11; e Audrey, de 6). De modo que, embora pareça que tudo está arrumado, a verdade é o contrário. As coisas estão em fluxo constante, e a função é mais importante do que a aparência. O móvel principal da sala de estar, por exemplo, é um sofá Ikea. “Acrescentamos pernas de latão e nogueira para dar um visual mais agradável”, disse Faherty, de 50 anos. “Gostamos de investir em coisas pela durabilidade, mas quanto tempo um sofá usado por três garotos vai demorar para ter de ser restaurado?” Mas acrescentou: “Não queremos nos preocupar com o sofá. Aqui, nós vivemos”.

Até a casa foi escolhida por sua utilidade, e pelo tanto que se distinguia de sua moradia anterior, uma casa em estilo colonial com estrutura grande, mas quartos pequenos. “Tínhamos uma casa de 436 m², mas acabávamos nos juntando na sala de TV de 14 m²”, disse Jill, de 44 anos, desenvolvedora de produtos para a Schoolhouse Electric. 

Como muitos produtos do casal, sua nova casa de 297 m² tem uma fundação de meados do século, mas o projeto foi repaginado para a vida moderna. Isso envolveu reconfigurar o layout da casa de 1958 que eles adquiriram em 2012 por US$ 785 mil (cerca de R$ 1,7 milhão), mas conservando sua área térrea e três lareiras de tijolos.

O arquiteto Ben Waechter criou para eles uma planta térrea boa para o convívio familiar, com corredores amplos, grandes janelas e um espaço de convívio central que combina sala de jantar, cozinha, escritório doméstico e sala de estar. “Eles queriam uma casa térrea feita de formas e materiais que transcendessem qualquer ideia de tempo ou estilo”, disse Waetcher. “Imagens de casa de campo suecas vêm à mente.” 

A reforma, que foi concluída em apenas cinco meses, custou cerca de US$ 500 mil (R$ 1,1 milhão). Apesar de (ou talvez pelo fato de) a nova casa ter menos espaço, ela funciona melhor do que a casa grande da qual eles desistiram. “Vivemos em cada centímetro quadrado desta casa”, disse Faherty. “Não há nenhum espaço desperdiçado.”

Com o espaço aberto e a área de refeições ao ar livre cercada pela casa, daria para pensar que esse seria um excelente lugar para festas também. Mas a família, ao que parece, raramente recebe visitas. “Não tanto quanto gostaríamos de receber”, disse Jill. Faherty objetou: “Entretemos três filhos toda noite, e com frequência seus amigos”.

Tradução de Celso Paciornik