Em Maresias, uma casa de praia no meio da mata

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Situada em uma área de vegetação nativa, projeto reúne o melhor dos dois mundos

O living da Casa da Mata, projeto do Studio Carlito e Renata Pascucci, em Maresias

O living da Casa da Mata, projeto do Studio Carlito e Renata Pascucci, em Maresias Foto: Monica Antunes

O estúdio de arquitetura Carlito e Renata Pascucci atua no litoral norte de São Paulo há quase vinte anos. Estabelecidos na praia de Boiçucanga, a dupla adora viver e trabalhar próximo ao mar e à Mata Atlântica, e tem se destacado nos últimos anos pelas soluções bem praianas, coloridas e atemporais que costuma imprimir a seus projetos residenciais implantados na região. 

“Há 3 anos concluímos uma reforma no mesmo condomínio onde se situa esta casa, de 220 m². Um belo dia, o casal de proprietários deu uma espiadinha pela janela da casa reformada e, de imediato, gostou da proposta. A partir daí, entraram em contato para um bate papo e, conversa vai, conversa vem, acabamos fechando contrato”, lembra Renata.

Nascia assim aquela que viria a ser batizada carinhosamente por seus moradores como a Casa da Mata Azul. Uma homenagem tanto ao mar, quanto à mata, uma vez que ela se situa em um condomínio, situado a menos de 200 metros da praia, em meio a uma área de vegetação nativa. “De cara resolvemos assumir a reforma mantendo a personalidade da casa existente. Sua arquitetura original, com estrutura de eucalipto roliço, paredes de alvenaria e telhado cerâmico foram totalmente mantidos”, relata ela. 

“Uma casa com estrutura de madeira, embora limite algumas modificações, ainda encanta, pela beleza da matéria-prima que se espalha por todo o projeto. Nossa intenção era colaborar para tornar o desenho da casa mais atemporal, pois acreditamos que a arquitetura não pode ser moda. Ela precisa durar muitos anos”, considera a arquiteta. 

Monica Antunes
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Iniciada em março de 2018, a reforma só foi finalizada em fevereiro do ano passado. Como pontos prioritários, atualizar os ambientes e seus acabamentos, ampliar a integração da arquitetura com a natureza e definir uma área de lazer externa – não coberta, a pedido dos moradores – formada por lounge e piscina. 

“Logo na entrada, a pequena varanda foi integrada à sala e à cozinha. Tiramos a sala de TV do térreo e criamos um mezanino acima do living. Crescemos o deck, inserindo o lounge e uma discreta piscina. A escada original, toda de toras de eucalipto, muito pesada visualmente, foi retirada e o desenho dos quartos foi totalmente modificado, sendo que um deles ganhou um deck coberto por um pergolado”, conta Carlito, resumindo as principais intervenções.

Uma vez concluída a primeira etapa, com a base da casa deixada toda cinza – pisos, tampos e paredes – teve início a fase da decoração, naqual a equipe investiu pesado no contraste de cores. Dos ladrilhos às paredes, passando pelo mobiliário e quadros. 

“A Renata fez uma seleção meticulosa e ousada, apresentando um híbrido de opções. Iniciamos pelos acabamentos, depois passamos para os móveis maiores e peças de apoio. Só no final, escolhemos as obras de arte e acessórios. Há uma variedade enorme de artistas brasileiros. Tem de grafites do Highgraff até um Gustavo Rosa na suíte”, destaca. 

Também responsável pela seleção das plantas, a dupla admite que a exuberância do jardim foi essencial para o resultado final. “A quantidade de pássaros, beija-flores e borboletas por ali é de levantar qualquer astral”, conclui Renata.