Direto dos móveis para vestir a cama

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Segunda coleção dos designers para a marca Trousseau revisita antigos projetos dos irmãos designers

Os designers Fernando e Humberto Campana

Os designers Fernando e Humberto Campana Foto: divulgação

Poucas são as empresas do cenário nacional que ostentam a assinatura de Fernando e Humberto Campana em seus catálogos. A Trousseau é uma delas. “A cada nova coleção, percebemos a capacidade que eles têm de se reinventar. Eles possuem uma criatividade e uma sagacidade únicas”, comemora Romeu Trussardi Neto, proprietário da marca de roupa de cama, que apresentou, na semana passada, em São Paulo, sua segunda coleção assinada pela dupla. 

Lençóis e acessórios de materiais nobres – na melhor tradição da casa –, que trazem impressos claros traços do DNA Campana. Em especial, temáticas recorrentes em seus projetos. Além, claro, de uma pontinha de subversão. “Nossa expectativa é que o público se identifique, se emocione e encontre neles inspiração”, adiantou Adriana Trussardi, durante o lançamento na Firma Casa, onde o Casa conversou com os designers.

Desenhar para uma marca envolve atenção a uma série de condicionantes. Como vocês lidaram com eles neste trabalho para a Trousseau?

Humberto: Procuramos sempre nos adequar às limitações técnicas, contudo, sempre nos deram total liberdade de criação. Nunca fomos “brifados”, digamos assim.

Fernando: Nosso processo de criação é sempre o mesmo. Para nós, o importante é sempre transpor conceitos, técnicas de produção e, sempre que possível, também os materiais.

Na linha que desenvolveram em 2012 vocês procuraram subverter a imagem romântica ligada à cama. Como isso se deu?

F: Procuramos desconstruir essa estética partindo de um ornamento muito particular a esse universo, as rendas. A ele acrescentamos o patchwork, justamente para transmitir essa ideia de desconstrução.

Este ano, vocês propõem duas coleções: Sushi e Cabana. O que nos atuais produtos mais se aproxima do momento criativo de vocês?

F: Nos dois casos partimos da releitura de móveis de nosso acervo. Elas transcendem um momento criativo determinado, pois cruzam ideias e referências.

H: Na coleção Sushi, com base em nossa linha de mesas e assentos de borracha, queríamos trabalhar o universo das cores. Na Cabana, que parte de nossos armários e cama, focamos na textura da palha. A inspiração veio das ocas indígenas. Acho importante notar que por meio da estamparia conseguimos traduzir o conceito de uma produção em tiragem limitada para outra de perfil seriado, ampliando o acesso aos produtos.

F: A abundância cromática é o que melhor caracteriza o visual da Sushi. Suas formas arredondadas também se adaptaram bem à construção dos acessórios. Nosso intuito é sempre transpor elementos que encontramos no nosso entorno, por meio de materiais e processos que estão, muitas vezes, diluídos em nosso cotidiano. Propor, enfim, uma nova roupagem.