Dia das crianças: quartos temáticos para se inspirar

Ana Lourenço - O Estado de S.Paulo

Ambientes lúdicos criam ligação afetiva com as crianças, incentivando a imaginação e a presença dos pequenos no cômodo

Após várias conversas com Gabriela (dona do quarto) e com seus pais, a designer de interiores Natália Castello, do Studio Farfalla, conseguiu criar o ambiente dos sonhos para a menina

Após várias conversas com Gabriela (dona do quarto) e com seus pais, a designer de interiores Natália Castello, do Studio Farfalla, conseguiu criar o ambiente dos sonhos para a menina Foto: Martho Fotografia

Basta falar por alguns minutos com qualquer criança para entrar completamente em seu mundo. Personagens favoritos, desenhos e até colegas de turma são incluídos na conversa sem que haja um mínimo de explicação. Suas referências e até maneiras de se comportar estão relacionadas com o mundo lúdico de cada uma e por isso mesmo a exposição material desse universo é tão importante. Quando se trata de cômodos da casa, o quarto muitas vezes é esse lugar.

Há quem prefira ambientes neutros para os pequenos, garantindo assim a possibilidade de mudança conforme a idade. No entanto, para a arquiteta Daniela Coli esse conceito não tem vez. “Na decoração infantil não indico montar um quarto estático para a criança ficar dos dois aos 20 anos, sem estímulos de cada fase. É preciso aproveitar a infância de forma lúdica e investir no entorno que marcará lembranças preciosas”, diz.

Segurança, medidas ergonômicas para crianças e espaços funcionais são a base para um quarto infantil temático de sucesso

Segurança, medidas ergonômicas para crianças e espaços funcionais são a base para um quarto infantil temático de sucesso Foto: Snaell Bonfim

Seguindo o tema de fazendinha, o preferido de seu filho, ela montou um celeiro no meio do quarto. “O ambiente era muito frio e a ideia de abrigar a criança em uma casinha fechada trouxe muito conforto térmico. As diversas aberturas não possuem vidro idealmente para troca de ar no verão”, explica ela, que considerou todos os detalhes de segurança e as funcionalidades da criança no ambiente.

A idade, rotina e preferências dos pequenos fazem toda a diferença na hora de planejar. A poltrona de amamentação, por exemplo, é essencial em um quarto de bebê. Já em quartos de pequenos estudantes, um cantinho para estudos com escrivaninha se faz necessário. Tudo isso, claro, sendo exposto de maneira divertida para que a criança crie uma ligação afetiva com o ambiente e queira ficar ali. Lembrando que: “a decoração infantil pode ter identidade própria. Ela não precisa ser 'casadinha' com o restante da casa”, reforça a arquiteta Pati Cillo.

Isso, porém, não impede que o quarto seja facilmente repaginado. Uma dica legal é usar elementos que possibilitem a troca, como um papel de parede, almofadas e outros itens decorativos. “Sempre coloque pelo menos um item que eles curtam muito. Pode ser nas cores, no tema, nos elementos, algo que eles se identifiquem imediatamente e criem conexão com o espaço”, ensina a arquiteta Roberta Giglio, da Figa Arquitetura. 

Categorizar os espaços do quarto como cantinho para estudos, leitura ou brincadeira é uma maneira lúdica para ensinar organização e disciplina

Categorizar os espaços do quarto como cantinho para estudos, leitura ou brincadeira é uma maneira lúdica para ensinar organização e disciplina Foto: DLB Design/Pinterest

De acordo com os especialistas um dos maiores erros ao decorar o ambiente infantil é pensar nele para os pais e não para os pequenos. “Muita gente fica preso ao décor e a cor e esquece que a criança tem de ter espaço pra jogar os brinquedos no chão e simplesmente brincar. Lugar nenhum na casa tem que ser vitrine”, coloca a arquiteta Erika Mello, da Andrade&Mello Arquitetura. 

Acabamentos delicados como pintura em laca não são recomendados. “Para projetos infantis, é necessário conhecimento de materiais específicos, atóxicos, de fácil limpeza, manutenção e principalmente que ofereçam segurança”, explica a designer de interiores do Studio Farfalla, Natália Castello. Assim, vidros, espelhos, objetos pontiagudos e quinas não são incentivados.

Espaços para brincar são essenciais em quartos infantis. Caso o espaço seja um obstáculo, é possível verticalizá-lo, ou até mesmo, fazer com que os objetos do ambiente façam parte da brincadeira

Espaços para brincar são essenciais em quartos infantis. Caso o espaço seja um obstáculo, é possível verticalizá-lo, ou até mesmo, fazer com que os objetos do ambiente façam parte da brincadeira Foto: Momooze/Pinterest

A proteção do ambiente também é importante, pois a criança deve ter a liberdade de explorar o quarto livremente. “Na decoração infantil, devemos enxergar o mundo com os olhos dos pequenos. Tudo é pensado e desenvolvido para a escala deles”, explica a arquiteta Silvana Benko, da Bá Cla. Isso também ajuda no cuidado da criança, que aprenderá desde cedo sobre organização e responsabilidade. De acordo com a arquiteta Vanessa Larré, o rodízio de brinquedos pode ser incentivado sem acabar com o divertimento. “Propomos nichos e cestos que dessem a liberdade para ela mesma acessar seus brinquedos”, conta a profissional.

"Quando estamos fazendo quarto de bebê, nós ainda não conhecemos essa criança, mas vai muito da intenção que os pais colocam de como eles querem cria-la", conta a arquiteta Júlia Guadix, da Liv’n Arquitetura

"Quando estamos fazendo quarto de bebê, nós ainda não conhecemos essa criança, mas vai muito da intenção que os pais colocam de como eles querem cria-la", conta a arquiteta Júlia Guadix, da Liv’n Arquitetura Foto: Gui Pucci

Com as crianças mais velhas é possível ter uma conversa para entender melhor suas referências. Já com os menores, você mostra esse pertencimento deixando os brinquedos à disposição, por exemplo. Outra maneira de contar uma história é inserir referências infantis sem um tema específico, como foi feito no projeto planejado pela arquiteta Júlia Guadix, da  Liv’n Arquitetura. “Eu não gosto de fazer nada literal, mas a gente sempre pode incorporar elementos lúdicos que vão ajudar a criança a soltar a imaginação dela”, diz.