Designer cria peças de madeira nobre a partir de encaixes

Marcelo Lima - O Estado de S. Paulo

Um dos destaques da mostra Rio+Design, Ricardo Graham, da marca oEbanista, utiliza técnicas tradicionais para criar móveis que valorizam a madeira

Ricardo Graham em seu estúdio em Mury, Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil.

Ricardo Graham em seu estúdio em Mury, Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil. Foto: Zuppa Filmes

No seu sentido literal, a palavra ebanista designa aquele que produz objetos a partir do ébano, madeira nativa da Ásia, célebre por sua cor escura e alta resistência. Com o tempo, porém, passou a designar todo profissional que manipula madeiras nobres de maneira especial por meio de técnicas de marchetaria, incrustações e encaixes, como é o caso do carioca Ricardo Graham. “Trabalho basicamente por meio de encaixes. Eles são muito interessantes e ao mesmo tempo desafiadores. Sem falar na perícia exigida na sua execução e no tempo dedicado para realizá-los, que é bem maior”, conforme explica o designer, um dos destaques da mostra Rio+Design, que completa dez anos e será realizada em Milão, de 17 a 22 do mês que vem, nesta entrevista exclusiva ao Casa.

Como e por que surgiu oEbanista?

Estudei e pratiquei na Itália e na França, por quatro anos. Quando eu retornei ao Brasil, em 2006, abri minha oficina. Com o passar do tempo, um dia fui entrevistado para uma matéria que foi intitulada O Ebanista. Um título simples e forte, que me estimulou a criar a minha marca oEbanista. E, desde então, tem sido esse meu objetivo: usar técnicas tradicionais para criar objetos de qualidade, valorizando as madeiras. Sempre, claro, com certificados de origem de manejo florestal ou demolição.

Vasos em três variedades distintas de madeira que serão apresentados em Milão

Vasos em três variedades distintas de madeira que serão apresentados em Milão Foto: Salvador Canto

Após estudar na Itália, você retorna ao país com a mostra Rio + Design. O que há de mais italiano e de brasileiro em seu trabalho?

É sempre um orgulho participar desta mostra em Milão e mostrar o meu trabalho no país no qual tanto aprendi. Eu estudei ebanesteria em língua italiana, utilizei madeiras europeias, aprendi o oficio com um mestre de Brianza, zona ao norte de Milão, famosa por sua excelência no setor moveleiro. A impressão cultural, até no modo de organizar o dia a dia da marcenaria, tudo isso trouxe comigo. Daqui, levo comigo minha memória manual, e meu trabalho de experimentação, voltado para a criação de uma linguagem própria.

Banco Aragonez, assinado pelo ebanista Ricardo Graham

Banco Aragonez, assinado pelo ebanista Ricardo Graham Foto: Salvador Canto

Os encaixes são um dos pontos altos de seu trabalho. Como eles estão presentes na mostra? 

Vou exibir nove produtos, entre móveis e objetos. Neles, há muitos encaixes aparentes nos quais exploro a mistura de madeiras. Assim, além da função estrutural, o encaixe passa a ter um valor estético. Por isso, recomendo: vejam de perto minhas peças, passem a mão, sintam a solidez das junções. Minha história está aí.

O sofá Paris, outra das peças que estarão em exibição na mostra Rio + Design

O sofá Paris, outra das peças que estarão em exibição na mostra Rio + Design Foto: Salvador Canto