Design na fronteira com a arte

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Fundadora e diretora da SP-Arte comenta as novidades do setor de design da mostra que abre suas portas na quarta-feira, 3

A instalação Tempo de Jacqueline Terpins, propõe uma reflexão sobre a efemeridade da condição humana.

A instalação Tempo de Jacqueline Terpins, propõe uma reflexão sobre a efemeridade da condição humana. Foto: Jacqueline Terpins

Para a fundadora e diretora da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo – Fernanda Feitosa, o flerte entre arte e design vem de longe. “Ao longo da história, o design tem incorporado processos e questionamentos típicos do fazer artístico, sobretudo nas últimas décadas”, diz. Natural, portanto, que tais inter-relações a levem a apostar no setor design em sua mostra anual, que chega à 15ª edição, de quarta-feira, 3, a domingo, 7 de abril, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. No total, serão 45 expositores – 12 a mais que no ano passado –, divididos em cinco núcleos distintos, incluindo o de Arquitetos. “Vamos apresentar profissionais com móveis autorais raramente vistos. “Trata-se de outra conexão importante, que merece um olhar mais atento”, como afirmou Fernanda, nesta entrevista exclusiva ao Casa

O segmento de design dentro da SP-Arte chega a quarta edição, com crescimento do seu prestígio e do número de expositores. A que atribui o sucesso da iniciativa?

Na verdade, a um conjunto de fatores. A começar pelo público que circula pela Bienal durante os dias da nossa feira. Sempre acreditei que colecionadores de boa arte são potenciais compradores de bom design e, ao longo dos anos, a mostra vem confirmando isso. Depois, o interesse do evento em se ajustar aos diferentes segmentos do mercado, com ofertas para o colecionador, o comprador e o público interessado em informação, sobretudo jovens profissionais e estudantes. 

Qual o critério de seleção e quem realiza a curadoria do evento, selecionando os temas de cada edição e as empresas participantes?

A princípio não existe nenhuma restrição em relação ao tipo ou escala de produção de cada participante. Nosso critério foi, e continuará sendo, o design autoral. Ou seja, apresentamos peças que têm autoria comprovada e conhecida, de qualquer época, embora, em sua maioria, elas sejam modernas ou contemporâneas. Quanto à curadoria, me ocupo pessoalmente da seleção, mas, em geral, ao lado de especialistas de cada setor. Se tratando de design, mesmo dentro de uma mesma época, existem olhares muito específicos, daí a necessidade de buscar opiniões mais abalizadas. 

Na sua opinião, quais serão os destaques entre os projetos especiais desta edição?

Pelo o que ele representa de revolucionário da história do design nacional, considero fundamental a comemoração em torno do centenário de nascimento de Zanine Caldas (designer e arquiteto autodidata que se destacou por seu mobiliário de linhas modernistas, a partir dos anos 1940). A SP-Arte vai homenageá-lo com a Ocupação Zanine Caldas, com diversos expositores apresentando de peças originais a reedições de seus móveis. Entre os contemporâneos, a Ovo apresenta a linha de móveis projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha para o S 24 de Maio. Por fim, pela ponte que realiza entre a arte e o design, a instalação Tempo, de Jaqueline Terpins traz um disco de gelo que vai derreter enquanto a mostra durar. Ela está muito animada com a ideia. E eu, mais ainda.

O aparador “U” em balanço, de Jacqueline Terpins, de madeira imbuia.

O aparador “U” em balanço, de Jacqueline Terpins, de madeira imbuia. Foto: Jacqueline Terpins

Fundadora da SP-ARTE, Fernanda Feitosa.

Fundadora da SP-ARTE, Fernanda Feitosa. Foto: Ênio Cesar