Design a quatro mãos

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Clássicos do design e tradição artesanal nordestina: Luiz Fernando Dantas comenta a parceria com Mestre Espedito Seleiro

O empresário Luis Fernando Dantas e o mestre do couro, Espedito Seleiro

O empresário Luis Fernando Dantas e o mestre do couro, Espedito Seleiro Foto: DARCI BASTOS

Fundada pelo empresário Luiz Fernando Dantas, em 1989, em Teresina, Piauí, a Terrasse surgiu como uma loja de móveis para área externa, daí seu nome. Três anos depois porém, já oferecia móveis para todos os tipos de ambientes, dos residenciais aos corporativos, além de abrir suas portas para seminários e exposições do segmento. Apaixonado pela arte popular brasileira, um dia, em meio a suas muitas andanças pelo Nordeste, Dantas acabou conhecendo o mestre do couro, Espedito Seleiro, e do encontro nasceu a ideia de criar uma coleção exclusiva para sua marca. “Partimos de clássicos do design do nosso acervo que tinham o couro como base. Um mobiliário pensado com base na ergonomia, nas proporções, na estética, produzido industrialmente, mas que bem poderia ganhar ainda mais vida com a manufatura artesanal do Espedito”, explica o empresário. “Vejo a nossa proposta perfeitamente inserida no universo do design contemporâneo. Nada foi alterado em relação ao desenho original das peças. No meu entender, o trabalho do Seleiro só veio a acrescentar”, como ele explicou nesta entrevista exclusiva ao Casa.

Como e porque se deu a escolha destas poltronas entre todos os ícones?

Em 2014, quando percorri boa parte do Nordeste em busca de artistas populares para uma exposição comemorativa dos nossos 25 anos, tive o primeiro contato com o mestre do couro, Espedito Seleiro. Desse encontro nasceu meu desejo de ver a junção das asas da borboleta da poltrona Butterfly, dos designers Bonet, Kurchar e Ferrari, com o coração coroado, a marca registrada dos bordados dele. Assim, quando resolvi montar a exposição, busquei peças dentro do nosso acervo nas quais o couro fosse o destaque. Daí as escolhas: do Sergio Rodrigues, a Xibô; do Paulo Mendes, a Paulistano; do Flavio de Carvalho, a FDC1; do estudiobola, a cadeira Ada; do Ronald Sasson, a poltrona Caymmi; do Fernando Mendes, a polrona Dina; do Aristeu Pires, a poltrona Gisele; e do Sergio e Jack Fahrer, a chaise-lougue Paso Doble. 

A poltrona Butterfly, dos designers Bonet, Kuchar e Ferrari

A poltrona Butterfly, dos designers Bonet, Kuchar e Ferrari Foto: DARCI BASTOS

A poltrona Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha

A poltrona Paulistano, de Paulo Mendes da Rocha Foto: DARCI BASTOS/OBJETO

Como se deu o processo de produção e em que bases se deram as intervenções do mestre?

Após autorizadas pelos designers e detentores dos direitos autorais das peças, solicitamos os moldes. Fiz algumas visitas a Nova Olinda, CE, onde reside e trabalha o Espedito, com a imagem dos móveis e dos moldes para os trabalhos serem desenvolvidos. Ele ficou livre para criar os desenhos e as combinações de cor, conforme sua interpretação de cada peça. Depois, os revestimentos foram enviados para as indústrias e os móveis, enfim concluídos.

Como esta sendo a acolhida do trabalho junto a seu público?

Muitos se emocionam ao ver a exposição. Se impressionam com a beleza da junção das formas e cores do trabalho do mestre Espedito Seleiro, com as obras de grandes mestres do mobiliário moderno e contemporâneo. Temos sido procurados por pessoas de diversos estados querendo saber mais sobre a exposição e já está quase certa nossa ida para São Paulo no segundo semestre . Temos inclusive alguns convites para levá-la para fora do Brasil. Para países nos quais a manufatura artesanal e a arte popular brasileiras despertam grande interesse. Lá, como está sendo aqui, estou certo de que a repercussão será enorme.

A poltrona Xibô, de Sergio Rodrigues

A poltrona Xibô, de Sergio Rodrigues Foto: DARCI BASTOS