De volta ao lar

Penelope Green - O Estado de S.Paulo

Corretora de imóveis retorna para a região onde cresceu, em conhecida rua de Nova York

Em 1969, Francis Mason, crítico de dança, ex-adido cultural e diretor-assistente da Morgan Library, caminhava pela Charlton Street, em Nova York, e admirava o estilo americano do período Adam, típico dos anos 1780 a 1820, das casas. Como sua filha Leslie lembrou, ele tocou a campainha de uma das mais suntuosas, entregou seu cartão de visitas à jovem que o atendeu e disse: “Se a casa for para alugar, eu alugo”. A jovem perguntou: “O senhor não gostaria de dar uma olhada?” Foi um momento característico de Mason e sua mulher, Patricia, que se tornaram famosos corretores de imóveis. 

Eles adoravam casas e o apartamento de Charlton Street (eles moraram no primeiro andar) seria o primeiro em uma série de mudanças na região do West Village, uma trajetória que mudou o destino do bairro. 

Há 13 anos, a mais jovem Mason, hoje com 53 anos, voltou para a Charlton Street, em uma casa perto daquela onde cresceu, com seu companheiro, Thad Meyerrieck, de 58, coproprietário de uma companhia de logística (a filha do casal, Lucy, tem 9). Mas só no ano passado conseguiram reformar o local, depois da venda da última casa da família Mason em Morton Street, para Sofia Coppola por US$ 9,85 milhões (cerca de R$ 22 milhões), como a imobiliária Curbed informou na época. 

Em 1970, o casal Mason se deu conta de que o proprietário de sua casa na Charlton Street jamais a venderia. Em 1978, Patricia encontrou o anúncio de venda da casa na qual acabariam morando na Morton Street, construída nos anos 1850. Poucos anos antes, a cidade de Nova York pedira concordata e não era fácil vender uma casa antiga no Village. Então, os Mason a compraram por US$ 240 mil (R$ 544 mil). 

Leslie, que trabalhou como atriz até seus 35 anos, não tinha planos de seguir a carreira da mãe. “Sempre achei abominável o que ela fez, provavelmente, porque não me deu a atenção de que eu precisava quando criança”, disse. “Mas logo me dei conta de que vender imóveis residenciais é mais do que uma mera operação financeira.” Patricia morreu em 1997. E Leslie passou a atender seus clientes. 

Em 2001, o casal adquiriu a casa atual, que foi dividida em três apartamentos, por US$ 2.536 milhões (R$ 5,7 milhões). “Foi uma sensação de conforto incrível voltar para casa”, disse Leslie. Seu pai se mudou para o apartamento térreo seis meses antes de morrer, em 2009.

Leslie e Meyerriecks contrataram o arquiteto David Hottenroth para reformar o imóvel. Ele abriu a parte posterior, acrescentou dois andares e uma parede com janelas de batente, e fundiu os três apartamentos em uma única residência luminosa. “Eu estava satisfeito com a casa”, disse Meyerriecks. “Mas Leslie a tornou um lugar melhor para se viver. É uma satisfação e um conforto criarmos nossa filha no mesmo ambiente onde Leslie cresceu.” 

/ Tradução de Anna Capovilla