De jerivá a maracujá

Marisa Vieira da costa - O Estado de S.Paulo

Rodolfo Geiser planta mais de cem espécies, na casa à beira da represa de Piracaia

Do portão de entrada é possível avistar um pedaço da represa de Piracaia, de certa forma o quintal desta casa em Bragança Paulista, cujos donos têm como hobby andar de barco nas águas calmas que beiram todo o condomínio. Avista-se apenas parte da represa porque o caminho que leva até ela foi sinuosamente pensado no projeto paisagístico executado pela dupla Roldofo Geiser e Cristiane Ribeiro. Rodolfo, engenheiro agrônomo de formação, conta que foi convidado pelo arquiteto Afonso Risi, responsável pela construção da casa no terreno de 4 mil m². "A idéia de Risi era criar um projeto integrado - nada de primeiro fazer a casa e depois pensar no jardim", lembra. "Por isso, ele, eu e Cristiane, que também é arquiteta, trabalhamos o tempo todo juntos."Rodolfo diz que sua primeira medida foi tirar a linearidade do terreno entre a rua e a represa. "Em linha reta, a visão da água seria maior, mas os donos da casa perderiam em privacidade e recursos paisagísticos", explica o profissional, que criou um caminho repleto de curvas a partir do portão de entrada, com planos verdes e jardins-surpresa que aproveitam o espaço em torno da casa. Especialista em reabilitação de áreas degradadas por meio de reflorestamento, Rodolfo usou seu conhecimento profundo de plantas para distribuir pela propriedade cerca de 80 espécies, entre arbustos, árvores de médio e grande porte e rasteiras. Estão lá desde os imponentes jerivás e sibipirunas nativos, próximos da represa, às tropicais helicônias rostratas (R$ 20 a touceira, na Floricultura Bragança), flores e árvores frutíferas. A maior parte dessas últimas estão concentradas no quintal do caseiro, no lado esquerdo de quem entra no terreno. É ele quem cuida dos caramanchões adornados de pés de maracujá, amoras pretas, lichias (R$ 9 a muda, no mesmo endereço), entre outras. Para manter a privacidade, tanto do pomar como de toda a propriedade, a dupla de paisagistas fez plantar cercas vivas de cedrinho, murta (R$ 15 a muda com 1,3 m, na Chácara Tropical) e abélias. Nos corredores laterais de acesso à casa e à represa, em suaves encostas, arbustos de amor-agarradinho, clúsias, jasmineiros, bignônias, helicônias, hibiscos, damas-da-noite e árvores de maior porte, como Michelias champacas.No grande pátio de entrada, pedriscos (R$ 12 o saco com 10 kg, na Grama Mendonça) aparecem no piso do estacionamento, enquanto um plano verde esconde a casa do zelador. Ali, a dupla optou por criar a cerca de várias espécies, plantando canteiros de lantanas, que florescem em tons de laranja, amarelo e branco (R$ 10 a caixa com 15 mudas, na Chácara Tropical), nandinas e palmeiras-de-leque, e agrupando árvores como pau-ferro e mirindibas.Lá embaixo, à beira da represa, o objetivo foi valorizar ao máximo a paisagem. Próximo à garagem dos barcos, os profissionais optaram por maciços de arbustos com diferentes texturas, como russélias e moréias. "Baixas, essas espécies criam um tipo de cerca que não atrapalha a vista de quem está na piscina, no plano superior", destaca Cristiane. Já nas laterais do extenso gramado, a dupla plantou o canteiro de margaridinhas-escuras (R$ 1,30 a muda com 40 cm de altura, na Natus Verde) e de quaresmeiras arbustivas em tom lilás, além de árvores de porte médio acima de rasteiras, caso das alissos brancas. Um conjunto de tirar o fôlego.