De causar frisson

MARION FRANK - O Estado de S.Paulo

Em Paris, o desenho brasileiro em madeira conquista espaço inédito, a loja LdeO&Co

Nem café nem samba. Muito menos biquíni fio-dental e sandálias Havaianas. A aposta da LdeO&Co, loja aberta desde setembro de 2007 no Marais - sim, o bairro de Paris - é o design brasileiro. Design que apela sobretudo à madeira, diga-se desde já. "Estamos sempre à procura de nomes que tenham personalidade", adianta a fluminense (de Petrópolis) Angela de Oliveira, há mais de 25 anos na França. "A ideia é trabalhar com o que o Brasil tem de melhor."

Angela é casada com Daniel Leburgue (nascido no norte da França), e os dois têm no parisiense Pierre-Antoine Corret um amigo. Aí está o trio de proprietários da LdeO&Co, todos eles profissionais realizados (formados em Engenharia, trabalharam até há pouco em multinacionais). Acontece que eles queriam algo mais. "Na nossa idade, é preciso ser idealista para tocar um projeto como este...", diz Angela. Ela, Daniel e Pierre-Antoine devem estar na casa dos 50 anos. Certa, porém, é a paixão por esse Brasil que manuseia a madeira com talento e respeito à natureza.

A vitrine da LdeO&Co é de encher os olhos. As peças à venda demonstram ser resultado de pesquisa, conhecimento, poder de escolha. Da Marcenaria Baraúna há peças-chave do seu repertório, como a poltrona Cubo (de muiracatiara) e o banquinho Caipira - releitura da peça de tradição indígena. Do Studio André Cruz, o jogo de mesas de inspiração oriental, Origami, e o console Onda, entre outros. Do designer Sergio Fahrer, a monumental chaise Paso Doble e a poltrona Cariari (eucalipto e wengué). E do Gueto Ecodesign, o pufe Miss Gana - acessório produzido com restos de EVA, um tipo de borracha colorida.

"Cada peça tem uma história para contar", reforça Angela. Ela, Daniel e Pierre-Antoine se revezam no atendimento da clientela, divulgando detalhes sobre a produção e os materiais. O atendimento personalizado é outro charme da LdeO&Co, espaço comercial que funciona de terça-feira a domingo, no imóvel do século 17 - reformado, ele mantém aparente o vigamento de madeira. Em meio ao cenário antigo, o design nacional de ponta conquista assim espaço e brilho. Faz bem ao coração - e não só o do trio proprietário.