Cores, sim. Mas com moderação

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

O arquiteto belga Michel Penneman fala sobre o uso de contrastes nos interiores domésticos

Poucos arquitetos encarariam com tanta disposição a missão de desenvolver um hotel inteiro – incluindo a fachada – a partir das cores vibrantes das cartelas Pantone. Mas, no caso do belga Michel Penneman, que proferiu palestra no Centro Universitário Belas Artes na semana passada, a tarefa foi mais do que bem-vinda. Trabalhando como um pintor, ele concebeu todo o projeto com base em contrastes acentuados sobre fundos neutros. Receita, aliás, que ele recomenda para os interiores domésticos, “Desde que com moderação”, como pontuou em entrevista ao Casa.

O hall de entrada do hotel Pantone, em Bruxelas, Bélgica, projeto de Penneman

O hall de entrada do hotel Pantone, em Bruxelas, Bélgica, projeto de Penneman Foto: divulgação

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O que caracteriza um bom projeto de interiores? 

Penso não ser possível esgotar o assunto. São tantas as variáveis. Para começar, é fundamental estar atento às necessidades do cliente, sobretudo em relação a orçamento e prazos. Por outro lado, o cliente deve fazer sua parte, respeitando sua competência, estilo e, claro, arcando com suas obrigações contratuais. Isso posto, o que todos sabemos: cada projeto é um projeto. Mas, no final, é fundamental se certificar de que o cliente gostou do resultado. Só assim você pode ter certeza de que foi bem sucedido. 

As cores parecem desempenhar um papel muito importante em seu trabalho. Em linhas gerais, como você costuma aplicá-las?

Sem dúvida elas têm seu peso. Mas devem ser usadas sempre com moderação. Em um quarto de dormir, por exemplo, se optarmos por uma tonalidade mais forte é importante usá-la na parte de trás da cama – como fiz, aliás, no hotel Pantone. Já em uma sala de estar, prefiro trabalhar com uma base neutra, incluindo estofados e cortinas, e pontuar com cores os móveis e acessórios. Amo cores quentes, como vermelhos, laranjas e amarelos. Mas, entre quatro paredes, prefiro trabalhar apenas com uma delas. Muitas vezes, uma única parede colorida já é suficiente para garantir uma atmosfera global para todo o ambiente. 

O senhor conhece o trabalho dos arquitetos e designers brasileiros? Reconhece neles um estilo claramente identificável?

Anos atrás, em visita de trabalho, conheci alguns arquitetos em São Paulo. Eles me apresentaram projetos de Niemeyer e também algumas lojas de design. Na Europa, Niemeyer ainda representa a arquitetura brasileira, mas Paulo Mendes da Rocha também é uma referência em alguns círculos. Eu, particularmente, admiro o móvel de estilo dinamarquês ou italiano. Mas, diria que o mobiliário brasileiro, sobretudo aquele produzido por mestres como Joaquim Tenreiro e Sergio Rodrigues, tem na qualidade e na diversidade de sua matéria-prima, a madeira, sei mais importante diferencial. 

O living do apartamento do arquiteto Michel Penneman em Bruxelas, Bélgica

O living do apartamento do arquiteto Michel Penneman em Bruxelas, Bélgica Foto: divulgação