Conheça um sobrado construído a partir do zero na Mooca

Roberta Cardoso - O Estado de S.Paulo

Casal preferiu construir do que se transferir para um apartamento

Toda área social do sobrado fica no piso inferior

Toda área social do sobrado fica no piso inferior Foto: Zeca Wittner

Construir uma casa partindo do zero, em plena Mooca, um dos bairros mais tradicionais de São Paulo. Foi esse o desafio do arquiteto Victor Oliveira Castro, do escritório Odvo de Arquitetura e Urbanismo, ao ser procurado por um casal disposto a encarar uma construção completa, do projeto à decoração, para ver o seu sonho realizado. “Levantar uma casa em uma cidade consolidada como essa não é uma tarefa das mais fáceis. Mas os clientes tinham um lote urbano e avaliaram que seria muito melhor do que morar em um apartamento”, afirma ele. 

Primeira constatação: apenas para erguer o sobrado, que hoje conta com 180 m², foi necessário demolir nada menos do que três pequenas construções que existiam no local. “O terreno ainda apresentava outros desafios, como o declive e o fato de ser muito estreito”, conta o arquiteto. Mas, ainda assim, Oliveira se propôs a equacionar todas essas variáveis e o resultado se apresenta, hoje, na forma de um arejado sobrado, com duas suítes, garagem, cozinha ampla, lavanderia, living e quintal. “Fizemos estudos para simplificar a construção, mas sem abrir mãos dos fundamentos da boa arquitetura contemporânea. E isso envolve também levantamento de custos”, diz o arquiteto. 

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E foi com base nesses princípios que o processo se desenrolou. Inicialmente foi definido que o sobrado teria uma ordem invertida, uma vez que o terreno estava abaixo do nível da rua: assim, no térreo, há uma garagem e uma passarela que leva até o hall com acesso aos dois dormitórios e a escada, que leva ao andar inferior, onde está localizada toda área social e o quintal. “Os proprietários queriam ter um contato mais direto com a natureza. E isso só seria possível se a gente colocasse a área social no piso inferior, como fizemos”, conta. Outra questão a ser observada envolvia a iluminação e a ventilação. Por o terreno ser estreito, essas duas funções não poderiam ser resolvidas pelas laterais, como é feito geralmente. “Imaginamos três pontos pelos quais a luz poderia entrar por cima e iluminar o andar de baixo: um na garagem, por meio de uma passarela; outro no centro do terreno, pelo pátio envidraçado; e um ao fundo”, explica.

O resultado propiciou um andar bem ventilado, em contato direto com o quintal e totalmente integrado com a cozinha, com o espaço da churrasqueira e com a lavanderia, que foi recebeu um grande painel de azulejos. “A simplicidade foi nossa grande aliada”, diz Oliveira. A questão custo-benefício também pesou nas escolhas do arquiteto. O piso, por exemplo, é de cimento queimado, assim como a bancada da cozinha. As paredes são brancas para garantir uma melhor difusão da iluminação. Por fim, folhas de vidro que podem ficar abertas, ou não, determinaram um pequeno pátio entre a cozinha e a sala de estar. 

Toda essa otimização ajudou a imprimir uma atmosfera clean e minimalista. A sensação de amplidão no piso inferior é outro ponto que chama a atenção. Para não entulhar a cozinha, os armários ficam na parte interna da escada e as portas de madeira acabam por compor o que o arquiteto chama de ‘leveza’ nos ambientes.

As cores, quando existentes, ficam por conta do mobiliário e de um segundo painel, agora no living, onde tons de verde foram explorados. “A gente conseguiu oferecer aos clientes uma vista de dentro de casa e outra externa, do quintal para fora”, comemora Oliveira. O que se aproximou ainda mais do que os moradores queriam. “Na área externa tem dois pés de café que ficaram. Tem a sombra de um abacateiro e parte da copa de uma pitangueira do vizinho. Isso é que é se sentir em casa”, finaliza.