Confira um roteiro de arquitetura por alameda de SP

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Somente no último trimestre, três lojas com projetos autorais inauguraram na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, no bairro do Jardim Paulistano, na zona oeste de São Paulo

Terraço da FAS Iluminação, de Alameda Gabriel Monteiro da Silva, na zona oeste de São Paulo

Terraço da FAS Iluminação, de Alameda Gabriel Monteiro da Silva, na zona oeste de São Paulo Foto: Christian Maldonado/Divulgação

Com lugar garantido na geografia da cidade como ponto de encontro dos aficionados por design e decoração, a alameda Gabriel Monteiro da Silva, no bairro do Jardim Paulistano, em São Paulo, começa a ser reverenciada também por outros atributos. Apenas no último trimestre, três novas lojas com projetos dignos de nota acabam de ser inauguradas por lá, atraindo para a região uma nova categoria de frequentadores: a dos entusiastas da arquitetura contemporânea. 

O público vai do leigo ao estudante, passando pelos profissionais, a quem interessa não só o que algumas lojas guardam por dentro. Mas também o que mostram por fora. “De dentro se pode ver o jardim e, de fora, as salas ambientadas”, comenta o arquiteto Isay Weinfeld, que assina o projeto da nova loja Dpot. 

“As condicionantes de projeto foram apenas relativas à legislação. Isay teve total liberdade de concepção, a partir de nosso desejo inicial: gostaríamos de uma loja com clima de casa, onde as pessoas pudessem sentir e perceber os móveis como se estivessem em casa”, afirma Baba Vacaro, diretora criativa da marca, que reúne atualmente uma das maiores coleções de mobiliário de autor do país.

Com mais de 1000 m², trata-se do primeiro projeto do gênero assinado pelo arquiteto paulistano, o que acentua ainda mais a curiosidade em torno da obra. “A proposta resultou em uma casa transparente e fluida, com um exuberante jardim que a abraça e que se abre para a cidade. Totalmente adequada à função de abrigar nossa coleção de móveis”, resume Baba.

A poucos passo dali, outra loja tem atraído a atenção mais pelo o que provavelmente esconde, do que pelo o que mostra: uma fachada seca, monocromática, com uma única abertura no centro. “O projeto começa na rua, já que o acesso é sinalizado por luminárias de piso que começam na calçada, atravessam um túnel e chegam até o salão”, conta a empresária Arystela Paz, da FAS Iluminação.

Loja que abriga a coleção completa do lighting designer alemão Ingo Maurer, distribuída em três pavimentos e um terraço, além de um hall com pé direito triplo de 14 m, construído especialmente para abrigar criações do artista. Um projeto de retrofit, executado pelo escritório Rizoma, de Belo Horizonte e que levou 4 anos para ser concluído, devido à agenda apertada do designer e atrasos decorrentes de tramitações de aprovações.

“Do ponto de vista arquitetônico, a ideia foi conjugar a atmosfera do ateliê de Ingo, em Munique, com algumas características marcantes da edificação. Tudo, sempre, com total aval dele e de sua equipe”, conta Arystela, que há mais de uma década representa com exclusividade o designer alemão no Brasil.

Passo decisivo para qualquer marca, abrir uma loja conceito em plena Gabriel Monteiro da Silva costuma exigir um projeto à altura. Com a mineira Líder, recém-chegada à alameda, não foi diferente. Diante do desafio de se perfilar lado a lado com grandes marcas do cenário nacional e internacional, a arquitetura surgiu como grande trunfo. 

Com a assinatura do escritório FGMF, dos arquitetos Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes, loja de 800 m² é dividida em três ambientes: o primeiro, fazendo a transição entre o espaço público e os interiores, com destaque para os jardins suspensos da fachada. Depois, em um espaço intermediário, um mezanino parece flutuar, servindo como ponte entre os dois prédios do showroom. Finalmente, nos fundos, uma área descoberta hospeda as coleções outdoors da marca.

“Queríamos fazer do prédio uma vitrine da Líder contemporânea. E, ao mesmo tempo, queríamos dispor de um espaço que valorizasse o nosso produto, que o mostrasse da melhor forma possível e ao mesmo tempo agregasse identidade à marca. E acreditamos que a arquitetura do FGMF atingiu todos esses objetivos”, considera Tiago Nogueira, diretor de marketing da marca, que se manifesta recompensado com o investimento feito até aqui. 

Segundo ele, a nova casa tem repercutido sim nas vendas e na relação com seus clientes. “Ganhamos uma arquitetura fresca que atrai e faz com que as pessoas sintam-se convidadas a entrar e a observar melhor nossos móveis.”

Fernando Guerra/Divulgação
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