Compra nem tão virtual

- O Estado de S.Paulo

Decorar pelos sites está mais sofisticado. Dá para tirar dúvidas e até experimentar

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Reportagem de Julia Contier

Fotos de Paulo Pinto, Ernesto Rodrigues e divulgação

 

A comodidade e o preço menor já não são os únicos atrativos para quem quer comprar móveis e objetos de decoração pela internet. Agora, também o atendimento personalizado justifica a preferência por lojas virtuais de gente como o administrador de empresas Tiago Perez, de 28 anos, que recorre aos sites de lojas desde meados de 1997, quando essa forma de comprar ainda se desenvolvia no Brasil. "Isso acabou virando hábito mesmo depois que trabalhei numa grande empresa do ramo. Compro uma vez a cada dois meses, no mínimo", conta. "Quando não encontro todas as informações no site, entro no chat ou ligo. Quando eles não têm a resposta na hora, anotam meu telefone e depois me retornam."

 

Tiago Perez Sarni e a namorada, Valquíria Carvalho, com objetos comprados pela internet: equipamento fotográfico, CDs, DVDs e abajur

 

Essa "resposta" pode chegar mais rapidamente com as novidades de alguns sites. Com quase 1 milhão de acessos por mês em sua loja virtual, a Tok&Stok dá apoio aos consumidores pelo Serviço de Atendimento ao Cliente, e-mail e chat e está desenvolvendo um serviço em que o cliente poderá visualizar sua casa com os novos móveis e até mudar as peças de lugar. Isso deve aumentar as vendas, de fato, pelo site. Hoje, segundo o diretor comercial da loja, Nilo Signorini, muitos compradores escolhem os produtos e fazem o orçamento pelo site, mas finalizam a compra na loja, onde podem avaliar melhor a peça.

 

O simulador de ambientes já é uma realidade no site da marca de tintas Suvinil. Nele, o consumidor coloca a foto de sua casa e testa as cores das tintas no próprio ambiente. "Apesar da praticidade, alertamos que sempre existirá uma pequena diferença do resultado virtual para o real", diz a gerente de propaganda da Suvinil, Mirian Zanchetta.

 

No escritório do designer gráfico Márcio Caçapa quase tudo foi comprado pela internet; uma de suas aquisições preferidas é a geladeira retrô vermelha

 

Alguns sites de lojas criaram blogs, onde dão dicas de decoração e mais informações sobre lançamentos. "A loja tem mais de 60 mil produtos; então, eu levo a maioria deles para casa, testo e depois conto no blog minhas opiniões", diz Fernando Assad Abdalla, dono da Doural, que vende seus utensílios de cozinha na loja física e também pela internet. No blog do Portcasa, por exemplo, o post sobre aparelho de fondue à venda na loja é complementado por dicas de queijos mais adequados.

 

Mas ter um "apoio" real ainda é importante. Mesmo sendo totalmente adepta das compras online, a artesã Rita Brandão, de 50 anos, prefere escolher peças de decoração em lojas físicas, para poder ver melhor a cor, o material e o tamanho. "Primeiro pesquiso em vários sites e lojas, escolho o modelo e decido o que quero. Se a loja não cobrir a oferta da internet, compro pelo site."

 

Aliás, saber se a loja virtual tem um endereço físico é um dos cuidados para quem faz compras online recomendado por Pedro Guasti, diretor-geral da e-bit, empresa fundada em 1999, pioneira na realização de pesquisas sobre hábitos e tendências de e-commerce no Brasil. "É importante procurar empresas conhecidas ou indicadas por pessoas de confiança e também conferir a idoneidade da loja", alerta. "Optar por empresas que aceitam cartão de crédito e tenham conexão de segurança nas páginas também são formas de evitar fraudes."

 

NA MEDIDA

O designer gráfico Márcio Caçapa, de 37 anos, é um dos adeptos da praticidade da web. "Olho tudo pela internet e ganho tempo." Foi assim que decorou o escritório onde trabalha. Comprou frigobar, cadeiras, tapetes, mesas central e lateral, armário, luminárias e até uma geladeira retrô da Brastemp. "Com a planta do meu apartamento ou do escritório na mão, tiro a medida dos objetos, vejo se dá pra compor de uma forma bacana e compro."

 

Para os arquitetos Rodrigo Costa e Alessandra Marques, do Studio Costa Marques, este é outro cuidado fundamental para o consumidor online: definir os itens que precisam de fato ser comprados e saber suas medidas e as do ambiente onde ficarão. "É importante ainda ficar atento ao material de que é feito o produto e o uso a que se destina", diz Rodrigo. Isso evita, por exemplo, que se comprem móveis de sala de estar, mais delicados, para serem usados em áreas externas.

 

OLHO VIVO

Os 10 passos para uma compra segura pela internet, segundo a empresa e-bit:

 

1. Adquira produtos em lojas conhecidas ou naquelas indicadas por pessoas de confiança

 

2. Pesquise sobre a idoneidade da loja em órgãos de defesa do consumidor e em sites de avaliação e comparação de preços, nos quais outros consumidores fazem comentários sobre a empresa

 

3. Telefone para a loja e verifique se ela tem endereço, número fixo ou filial física

 

4. Leia a política de privacidade da empresa antes de comprar

 

5. Prefira empresas que aceitem cartão de crédito. Evite fazer pagamentos por meio de boletos ou depósitos bancários

 

6. Verifique se a loja tem conexão de segurança nas páginas em que são informados dados pessoais do cliente (repare se há o desenho de um cadeado)

 

7. Proteja seu computador com um antivírus atualizado

 

8. Não abra e-mails de procedência duvidosa

 

9. Desconfie de ofertas milagrosas, principalmente em se tratando de produtos eletrônicos e de informática

 

10. Salve ou imprima todos os passos da compra, inclusive e-mails de confirmação

 

SITES

linkOlá

A loja nasceu como ateliê e hoje só vende pela pela internet. Mantêm um blog e faz produtos personalizados

 

linkTok&Stok

No site da loja é possível comprar produtos e tirar dúvidas com vendedores por meio do 0800, e-mail e chat (bate-papo online)

 

linkZizi Maria

A loja Zizi Maria Tricô e Crochê, em São Paulo, criou o site para expandir as vendas para todo o País

 

linkPortCasa

Dentro da loja virtual há um blog com dicas sobre como decorar e fazer compras para a casa pela internet