Como organizar melhor os pequenos espaços

Marcelo Gomes Lima - Especial para o Estadão

Mesmo com pouca metragem, é possível garantir que seu lar tenha personalidade; confira aqui dicas de especialistas

Projeto de estúdio de 26 metros quadrados foi realizado pela arquiteta Paula Neder: multifuncional.

Projeto de estúdio de 26 metros quadrados foi realizado pela arquiteta Paula Neder: multifuncional. Foto: Leonardo Costa

 

Nunca foi tão fácil se deparar com imagens de casas e apartamentos belos e atraentes. Dos sites às revistas especializadas, passando pelas mostras dedicadas ao tema, o que não faltam são sugestões de como decorar para os mais variados estilos e personalidades. Mas nem sempre para todos os tipos de imóveis. Em particular, os menores. 

Claro que, quando tomadas como inspiração - e não como solução pronta para qualquer caso -, tais informações podem ser úteis. O problema começa quando, além de seus hábitos, as soluções não consideram os metros quadrados disponíveis.

“Não é porque é pequeno que é simples”, diz a arquiteta Paula Neder, que acaba de concluir o projeto de um estúdio de 26 m², uma das atuais estrelas do mercado imobiliário. “Nesses imóveis tudo deve ser multifuncional: a cama deve servir como sofá. A mesa de refeições, como escrivaninha, e por aí vai.” 

Não que, em nome da funcionalidade, o morador de um imóvel pequeno deva abrir mão de seu gosto. Mas certos erros podem e devem ser evitados. Sobretudo às vésperas da Black Friday e das festas de fim de ano. Época propícia a compras de impulso e pequenas reformas. Portanto, fique atento:

 

  • Só o necessário: O maior erro que se pode cometer ao se decorar um imóvel pequeno é não levar em conta as necessidades individuais. Se você não gosta de cozinhar, não dedique muito espaço a um ambiente que não vai usar. “Apartamentos pequenos exigem mais personalização”, alerta Paula Neder. 
  • Soluções próprias: Não caia na armadilha de sobrepor ideias tiradas daqui e dali. Leve em conta que a maioria dos ambientes de revistas foi produzida em condições especiais de recuo e iluminação. Transpostas para outra situação, o resultado pode ser outro. E se revelar bem pouco funcional.
  • Fora da escala: Usar apenas peças pequenas pode fazer com que o ambiente se torne redundante. Da mesma forma que móveis grandes demais podem ser desastrosos “Seu sonho é uma cama king? Calma. Avalie se os espaços laterais permitem ao menos 60 cm para garantir uma boa circulação”, lembra a arquiteta Paula Muller.
  • Divisórias: Sempre que possível, evite dividir os espaços com paredes. Móveis e tapetes podem funcionar como limite entre espaços abertos. Atenção: nunca elimine uma parede sem consultar um profissional. 
  • Muito volume: Em cada ambiente, foque em uma peça em especial - um sofá, uma mesa, uma cama -, distribuindo ao seu redor objetos menores. Mas evite exagerar. “Muitos elementos decorativos fazem o espaço parecer ainda menor”, conta a arquiteta Carmen Zaccaro.
  • Armários: Reforçar as condições de armazenamento é recomendado. Evite, no entanto, concentrar muitos armários no ambiente, para não causar a sensação de confinamento. Reservar uma área com essa finalidade - considere os corredores - pode ser excelente solução.
  • Ponto de luz: Um único lustre pode iluminar um ambiente, mas para decorar com estilo, áreas de sombra são tão necessárias quanto. Por isso, procure inserir abajures para apoiar a principal fonte de luz, enfatizando certos ângulos. “A luz ajuda a criar pontos de interesse”, explica a arquiteta Adriana Esteves. 
  • Revestimentos: Aplicar um único piso é a solução mais recomendada para alongar ambientes contínuos, como salas de jantar e de estar. A regra é especialmente válida para o banheiro, onde é indicado empregar o mesmo tipo de cobertura em pelo menos duas superfícies: parede-parede e parede-chão. 
  • Paredes nuas: Aproveite-as ao máximo. Revesti-las com espelhos, por exemplo, multiplica o espaço e a luz. “Se puder, rebaixe o teto o mínimo possível e adote elementos altos como estantes e cortinas piso-teto, direcionando a visão para o alto. Só isso já aumenta a sensação de amplitude”, lembra a designer Livia Amendola.
  • Móveis em desuso: Como tudo, o espaço da casa não ficou imune ao avanço da tecnologia. Por isso, avalie se realmente é necessário, por exemplo, dispor um rack na sala. “Muitos optam por usar somente a internet da TV. Neste caso, basta fixar a TV na parede, deixando um ponto atrás”, pontua a arquiteta Cristina Bezamat.