Como objetos vivos

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Designer baiana fala de sua ligação com as plantas e comenta sua nova linha de vasos

A designer baiana Judith Pottecher

A designer baiana Judith Pottecher Foto: Divulgação

Em meio à modernidade explícita do espaço desenhado por Guilherme Torres para a atual edição da Mostra Black – em cartaz até hoje no pavilhão da Oca, no Parque do Ibirapuera –, um singelo jogo de vasos, repleto de suculentas se destaca na paisagem. Desenhado pela designer baiana Judith Pottecher, o conjunto chama a atenção não apenas por sua beleza, mas, fundamentalmente, por sua pertinência ao espaço em questão. “Conviver com plantas é hoje uma necessidade contemporânea. Resta criarmos condições para que essa convivência aconteça da melhor forma possível”, pontua ela nesta entrevista ao Casa.

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Quando começou a se interessar pelo cultivo de plantas em casa?

Meu envolvimento com plantas vem da infância. Sempre ajudei no plantio dos jardins da família e, já adulta, mantive durante 18 anos uma casa no litoral norte da Bahia. Lá tive a oportunidade de conviver com um trecho da Mata Atlântica, de manter um coqueiral e também uma horta para consumo próprio. Mais tarde, nos anos em que vivi em Paris, minhas atenções se voltaram para o terraço de meu apartamento. Apesar de pequeno, sempre me ocupei dele e me preocupei em diversificar as espécies cultivadas em função das estações do ano. De certa forma, o interesse permanecia. Apenas a escala era outra. 

A primeira série de vasos de Judith Pottecher, obtida pela fusão de partes de vasos cerâmicos

A primeira série de vasos de Judith Pottecher, obtida pela fusão de partes de vasos cerâmicos Foto: Divulgação

Como surgiu a ideia de desenvolver vasos?

Basicamente dessa necessidade, que acredito não ser só minha, de contar com a presença da natureza nos ambientes doméstico e de trabalho. Mas não me agradava a ideia de fazer isso de maneira meramente expositiva, dando ênfase para o desenho do vaso ou das plantas. Gostaria de vê-los interagindo. Por isso, procurei olhá-los não como vasos, mas como suportes. 

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E como isso acontece?

Na minha primeira coleção, trabalhei por fusão, combinando partes de vasos cerâmicos, reunificando-os por meio do acabamento metalizado. Já na atual, Paisagens Brasileiras, de corian, os suportes ganharam identidade, uma vez que podem ser livremente combinados. Para tanto, me inspirei na sinuosidade de nossas serras, no traçado de nossa arquitetura. Ao mesmo tempo, procurei criar condições para que as plantas se apresentem como se estivessem na natureza, em planos mais ou menos altos, mais ou menos curvos. Porém, sempre com a mesma intenção: fundir o vegetal e o design formando um objeto único. E vivo.

Vasos da série Paisagem Brasileira, de Corian

Vasos da série Paisagem Brasileira, de Corian Foto: Divulgação

Vasos da série Paisagem Brasileira de Judith Pottecher em ambiente decorado por Guilherme Torres

Vasos da série Paisagem Brasileira de Judith Pottecher em ambiente decorado por Guilherme Torres Foto: Divulgação