Com um pé no oriente

BETO ABOLAFIO - O Estado de S.Paulo

Dado Castello Branco se inspira em terras distantes e não economiza madeira

Dado Castello Branco costuma apresentar-se bem na Casa Cor. Não foi diferente em sua 12ª participação. Como tinha concebido recentemente projetos urbanos e campestres para a mostra, o arquiteto resolveu criar, desta vez, um bangalô que ficaria perfeito na praia. "É uma coisa meio Ilhas Maldivas", diz ele, referindo-se às construções do arquipélago localizado no Oceano Índico, próximo da Índia.

O apelo oriental começa pelo desenho típico do telhado, feito de taubilha com forro de bambu, que cobre a construção - uma caixa de catuaba parda. "É tudo ecologicamente correto", garante o profissional, para quem a questão da sustentabilidade é vital daqui por diante. O piso também é de madeira do bem.

Quem entra no espaço depara logo com a mesa da área de refeições, à direita, e a cozinha, à esquerda. A seguir, integra-se o quarto, com cama de dossel bem básica. Compartimentado é o banheiro, cuja pia fica centralizada entre as divisões destinadas à banheira e aos sanitários, com piso de seixos brancos.

Bem empregados, brises (abertura com ripas) são providenciais para a situação hipotética de estar próximo do mar e à mercê de altas temperaturas. Além de garantir ventilação cruzada na construção de 60 m², tais elementos arquitetônicos têm efeito decorativo.

Com pequenos grandes luxos modernos, a decoração, por sinal, segue a mesma premissa sustentável ao usar peças de madeiras certificadas, desenhadas pelo próprio Dado. É o caso da cama, dos criados-mudos, da mesa de jantar e do banco. Num canto, a gostosa poltrona, revestida de linho branco, convida a se jogar. Já os tapetes de tear de sisal têm aplicação de fragmentos de antigos modelos iranianos.

"O bangalô forma um conjunto com o jardim e a piscina propostos por Gilberto Elkis, além do Spa Deca, que criei com os mesmos conceitos daqui", explica o profissional.