Com sabor de família

- O Estado de S.Paulo

Katia Rodrigues faz pratos que aprendeu com a avó portuguesa e os pais e, depois, ensinou ao filho chef

Katia na cozinha aberta para o living. Foto: Zeca Wittner   Na vida de Katia Rodrigues, todos os caminhos levam à cozinha. O dom para os negócios e para a culinária a empresária credita às raízes portuguesas, pelo lado materno. "Minha avó, Maria da Conceição, ao chegar ao Brasil, foi cozinheira de uma família tradicional em Santos e assim conheceu e se apaixonou por meu avô, Antônio, que era açougueiro e fazia entrega de carne toda semana", conta. Eram outros tempos. "A patroa permitia que eles namorassem no alpendre e até servia vinho do Porto", afirma. O casal voltou para a terrinha, onde prosperou. "Eles chegaram a ter três açougues na aldeia, lá na região de Arouca, no norte do país." Dos avós para os pais, a santista Katia cresceu em meio ao dia-a-dia dos restaurantes - Ayres, o pai, teve vários. "Entre eles, o Baleia, que fez história em Santos", diz, sem precisar datas. A mãe, Esmeralda, cozinha até hoje. "O bacalhau que ela faz é de comer de joelhos", elogia. Não surpreende, portanto, que a receita de Katia para o Casa& seja à base do peixe típico da mesa portuguesa. E o talento familiar para a culinária perpetua-se com o filho único Gustavo, de 23 anos, chef formado pelo Senac. A história profissional de Katia deu muitas voltas desde que abandonou a faculdade de psicologia e a cidade natal, em 1981, até abrir a importadora de utilidades domésticas Calport, em julho de 2006. Nesse meio tempo, casou e separou duas vezes; teve um filho, foi dona de uma confecção de bolsas e até executou jardins. Nesse ofício, conheceu e ficou sócia de um importador de panelas ScanCook (da Dinamarca). Sociedade essa que desfez para seguir carreira solo. Panelas à mostra Na cozinha de seu apartamento de 140 m², nos Jardins, exceto por uma panela de cobre, todas as peças de titânio suspensas no paneleiro são da marca dinamarquesa (caçarola de 16 cm, com tampa, custa R$ 523,90, no Espaço Santa Helena). "Não escondo panelas nos armários." O espaço gourmet é aberto para as salas de estar e jantar integradas. A mesa de jantar só tem serventia quando Katia recebe. "Sou capaz de preparar um jantar com sobremesa para 50 pessoas em 20 minutos. Claro que as receitas não são muito sofisticadas", diz. As refeições diárias são feitas na bancada de madeira acoplada na ilha central, com cooktop. Para sentar, banqueta cromada e pufes de tecido floral (da Casablu). Os equipamentos, modernos, são de inox: caso do fogão (5 queimadores, da Lofra, por R$ 5.799, no site da FastShop), da coifa, do microondas GE (sai por R$ 499, no Submarino) e da lava-louças Brastemp. Na parede de pastilhas cerâmicas, atrás da bancada da pia, o varão de aço deixa à mão apetrechos. Amadeirado, branco, bege e gelo revestem piso, paredes, bancadas e armários. Aqui e ali, acessórios vermelhos dão vida ao ambiente de tons neutros, como o porta-pão (R$ 249,30, na Doural), a balança (R$ 182,10, idem) e a chaleira, todos da Typhoon. Além da marca inglesa - a empresária também importa a paellera valenciana Garcima (à venda na Coqueluche) -, muitos utensílios vieram das viagens internacionais a trabalho. "Compro pouco. A maioria é escambo com o pessoal das feiras", diverte-se Katia.