Com cara atual

Olívia Fraga - O Estado de S.Paulo

Apê ganha ar moderno com integração e cores fortes

Parede definitivamente não é o negócio dos arquitetos e irmãos Lua e Pedro Nitsche. Chamados para planejar a reforma deste apartamento na Vila Madalena, decidiram pôr abaixo a maioria das divisões entre a sala, os quartos e a cozinha. O dono, um jovem fotógrafo empolgado com o primeiro apê, gostou da ideia tanto quanto a dupla (ele e a namorada escolheram os móveis, da Micasa, alguns da Kartell e TokStok).

O apartamento já era da família e tinha uma planta tradicional, com três quartos e divisões demais. Quando herdou o imóvel, o proprietário só fez questão de uma área privativa, o seu quarto. Amigo de escola dos Nitsches, ele conta que sempre admirou o estilo dos projetos do escritório. E quis para si um apartamento parecido com um estúdio, de planta aberta.

A reforma levou um ano e transcorreu sem sustos, em completa sintonia entre arquitetos e morador. Pedro Nitsche lembra que, com 150 m², "o apê tinha boa infraestrutura e uma visão invejável do bairro por conta dos vitrôs do living, integrado graças à eliminação das paredes". Luz, portanto, era item a ser valorizado. Para separar a cozinha e a área de serviços da sala foi fundamental a instalação de portas de correr de policarbonato alveolar na cor cristal com esquadrias de alumínio. A claridade da sala ajuda a iluminar a cozinha pela manhã, e ao longo do dia, é a cozinha quem recebe luz direta. Acionar os interruptores, mesmo, só à noite. Réguas com spots embutidos, apoiados na extensão de uma das vigas (da Reka Iluminação), jogam luz que pode ser dimerizada no estar.

Durante a reforma, duas colunas de sustentação surgiram bem no meio da sala. Sem poder removê-las, Pedro decidiu disfarçá-las: uma delas foi pintada de cinza prateado, e a outra foi revestida de aço. Na companhia do piso cinza paginado em quadrados largos (da Concrefit), mimetizam-se no living, que hoje tem três ambientes, nessa ordem: a partir da entrada, a sala de jantar, um estar e o lugar para o home theater.

MINIATURAS E COLEÇÃO

Dão boa impressão as estantes com rodízio (executadas por Janus Biezok, com pintura a seco, custam R$ 400 o m²), que preenchem, de fora a fora, a parede dos vitrôs. Desenhadas por Pedro, reúnem livros, revistas e as coleções de miniaturas tão caras ao dono fotógrafo. Em uma das estantes, a da entrada, uma coleção de máquinas fotográficas antigas entrega sua paixão. "Como a sala cresceu, os gabinetes de ferro criam unidade e impressão de casa cheia. Além disso, foram feitos até o fundo, onde futuramente ele poderá ter um quarto de hóspedes, ou para os filhos", explica Pedro.

Este quarto, aliás, quase não se percebe. A folha de madeira retrátil engana os olhos (feita em imbuia pela Marcenaria Taniguchi, custa 380 o m²), dando a impressão de que se está na continuação da sala. Mas, fechado, o cômodo se isola, ao lado do dormitório já montado para o dono (armários da Marcenaria Taniguchi, de imbuia, por R$ 880 o m²). A suíte do proprietário também tem porta de correr de madeira. Pastilhas de vidro dão o tom nas paredes do banheiro, instaladas até a altura do corpo, e na pia, de concreto aparente sem acabamento, duas cubas, para ninguém atrasar ninguém (o fotógrafo mora com a namorada).

Existe muita cor nesse apartamento em que o cinza impera - basta atentar para o revestimento dos estofados, as cadeiras de modelos diferentes, a riqueza dos tons da madeira usada na confecção dos painéis e da mesa de jantar, que faz conjunto com cadeiras assinadas. E na cozinha (coifa Pulsar, modelo Monaco, de 1 m x 0,70 m, por R$ 6.720 sem instalação), lugar preferido do dono, a onipresença das bancadas pretas (gabinete de Janos Biezok, preto, por 600 o m²; e fórmica preta na pia, da Marcenaria Taniguchi, por R$ 1.000 o m²) e de poltronas vermelhas. E, surpresa, a parede pintada de amarelo-vibrante. Na periferia do olhar, uma mancha de verde, imagem das árvores invadindo a sala pelas janelas.