Com aposta na madeira, Leo Romano lança coleção 'Para Ser Feliz'

Marcelo Lima - O Estado de S. Paulo

Arquiteto acredita que móveis criados são uma forma de 'celebrar a alegria de viver'; confira entrevista

Poltrona ganhou braceletes e resina e estofado branco

Poltrona ganhou braceletes e resina e estofado branco Foto: Edgar César

Para Ser Feliz é o nome da mais nova coleção de móveis desenhada pelo arquiteto goiano Leo Romano para, segundo seu autor, celebrar a alegria de viver. Ao todo são 14 peças à venda com exclusividade na loja Novo Ambiente, de São Paulo, nas quais o desenho economiza nas linhas, mas não nas formas. A madeira é a matéria-prima protagonista e trabalhada manualmente, em marcenaria, confere a cada produto o status de peça única. 

“A coleção subjuga a funcionalidade imediata do móvel para posicionar a estética como uma necessidade humana e um elemento de interesse”, afirma o arquiteto, que sempre procura fazer de seus móveis uma oportunidade de reflexão. “Vou buscar na minha cabeça, no meu repertório visual, elementos articuladores desses pequenos prazeres.

Detalhes capazes de transmitir uma sensação de alegria”, conta Romano, que dotou suas peças de ‘shapes’ mais macios, com finalização arredondada como forma de nos religar aos pequenos prazeres do cotidiano. Como ele pontuou nesta entrevista exclusiva ao Casa.

O arquiteto goiano Leo Romano

O arquiteto goiano Leo Romano Foto: Edgar César

Por que Para Ser Feliz?

Quando eu comecei a fazer os desenhos, eu tinha em mente um móvel que pudesse transmitir uma sensação de bem-estar. Eu acho que essas formas arredondadas nos remetem às melhores coisas da vida: um abraço, um beijo, um colo de mãe. Um móvel com formas mais generosas nos traz uma sensação de alegria, e foi exatamente isso o que eu busquei, por isso o nome. Além disso, a forma arredondada nos dá a sensação de algo contínuo, que permite que o olho passeie de uma maneira mais contemplativa pela peça.

Na contramão do minimalismo, atualmente muito em voga, seus móveis são volumosos e não economizam em matéria-prima. Qual o conceito da coleção?

Na verdade, o desenho é muito limpo e minimalista. Paradoxalmente, a forma mais volumosa, exigiu mais matéria-prima, no caso madeira. Então, é um pouco na contramão sim, mas a gente procura trabalhar com uma madeira que tenha procedência, que não agrida o meio ambiente. Como realizamos um trabalho mais artesanal, em fábricas com menos recursos, nós tivemos que utilizar uma matéria mais densa para que fosse possível obter essas formas. Por isso a matéria-prima escolhida foi o liptus, que é uma madeira certificada.

Em algumas peças, a madeira aparece agregada a outros materiais. Com qual objetivo?

Utilizamos chapa de ferro pintada em um banquinho e em uma mesa lateral, com o objetivo de contrastar a leveza da chapa com a densidade da madeira. Em algumas peças a gente usa também um bracelete de resina transparente, eu costumo chamar assim, com o objetivo de quebrar um pouco o peso da madeira e deixar o conjunto com um visual mais divertido. Penso que a peça fala de nossa necessidade de ‘vestir’ acessórios, mas de uma maneira bastante limpa. Como se a gente pudesse fazer uma interrupção, geralmente em um ponto chave, para continuar com a madeira. Se permitir brincar um pouco.

Carrinho de chá desenhado por Romano, que também traz bracelete de resina em um de seus pés

Carrinho de chá desenhado por Romano, que também traz bracelete de resina em um de seus pés Foto: Edgar César

Um dos bancos desenhados para a coleção

Um dos bancos desenhados para a coleção Foto: Edgar César