Casacor Rio traz a pluralidade do jeito de viver e decorar carioca

Marcelo Gomes Lima - Especial para o Estadão

Instalada no bairro do Jardim Botânico, a mostra de decoração e design deste ano dá ênfase aos ambientes externos da moradia

A arquitetura de interiores continua a ser um dos campos do saber humano que maior impacto exercem sobre o cotidiano das pessoas. Por envolver conhecimentos específicos – que vão do conforto ambiental a sutis noções de equilíbrio e proporção –, trata-se de tarefa que, ao menos idealmente, deve ser entregue à sensibilidade de arquitetos e designers. Profissionais que, por vocação e formação, se propõem a criar um pequeno mundo, pessoal e intransferível, em torno de nossas vidas.

Há mais de 30 anos na estrada, as empresárias Patricia Quentel e Patricia Mayer, promotoras e sócias-diretoras da Casacor Rio – franquia carioca e segunda mais longeva mostra do gênero no País, logo depois de São Paulo –, conhecem bem o assunto. E, por tudo o que têm visto em suas andanças, dentro e fora do Rio, receberam com entusiasmo o tema sugerido pela direção nacional da marca para funcionar como fio condutor dos trabalhos deste ano: Infinito Particular. 

Revestido em anil, nicho marca a sala de reunião projetada por Ric Melo e Rodrigo Passos

Revestido em anil, nicho marca a sala de reunião projetada por Ric Melo e Rodrigo Passos Foto: André Nazareth

“Poucas vezes percebi tamanha pluralidade de propostas. A pandemia, de fato, ampliou a percepção da casa por parte de todos nós, e o resultado aparece na forma de soluções muito personalizadas, mas, ao mesmo tempo, mais viáveis”, considera Quentel. “Quisemos trazer espaços mais próximos da realidade dos imóveis de hoje e também dos nossos visitantes, que vão poder aproveitar melhor nossos pátios, jardins e demais áreas de entretenimento”, complementa Mayer. 

Assim, se em 2021 a arquitetura e a vegetação exuberante do imóvel-sede – um casarão histórico, construído em 1860, no bairro carioca do Jardim Botânico, cercado por 12 mil m² de Mata Atlântica – funcionaram como inspiração maior para os profissionais, este ano, a atenção se voltou para novas formas de ocupar seus espaços. Sempre, claro, considerando a necessidade de manter intactas as características originais de um imóvel tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac).

E as novidades começam pelo próprio desenho da mostra. “Abrimos mão de ambientes mais tradicionais, como uma sala de jantar, por exemplo. Não que eles não estejam presentes, integrando outros espaços. Mas optamos por uma abordagem mais contemporânea, privilegiando pequenos estúdios, com propostas multifuncionais e mais bem adaptadas ao perfil dos moradores de hoje, que, em grande parte, preferem viver sozinhos ou optam pelo coliving”, conta Quentel. 

Do iniciante João Panagio, suíte da Casa Migrante põe cama em destaque, por meio de iluminação zenital, que aproveita a luz natural 

Do iniciante João Panagio, suíte da Casa Migrante põe cama em destaque, por meio de iluminação zenital, que aproveita a luz natural  Foto: André Nazareth

Nesse contexto, a cozinha ganhou uma nova função: a de café aberto. Enquanto o elegante segundo andar foi transformado em hospedaria: ou seja, um local pensado para receber convidados que poderiam, eventualmente, passar alguns dias por ali. Para tanto, além de espaços para trabalhar e descansar, os hóspedes dispõem de um lounge, um home office, uma sala de reuniões e até de um lugar destinado à descompressão e ao relaxamento. 

Na parte externa da casa, mais novidades. A piscina e seu entorno se transformaram em galeria de arte a céu aberto. Enquanto, nos jardins dos fundos, foram instalados diversos estúdios, com áreas de 28 m² a 80 m². Segundo Quentel, uma arquitetura efêmera, construída em tempo recorde, a partir de módulos metálicos pré-fabricados, dotados de propriedades termoacústicas, semelhantes a contêineres, mas disponíveis em diversos tamanhos.

Pintura mural. O mural artístico criado pelo Coletivo Muda, entre os dois pavimentos, da unidade ao Espaço Prosa, de Paula Nader e Coletivo PN+10. 

Pintura mural. O mural artístico criado pelo Coletivo Muda, entre os dois pavimentos, da unidade ao Espaço Prosa, de Paula Nader e Coletivo PN+10.  Foto: Foto André Nazareth

“As vantagens de trabalhar com esse tipo de material são evidentes: você escolhe o tamanho, eles chegam prontos para a montagem, não há desperdício e, por tudo isso, são muito mais sustentáveis”, declara a arquiteta Carolina Haubrich, que, juntamente com seu colega Caco Borges, assina o espaço Aura Breentwood.

Espécie de laboratório do novo morar, a Casacor Rio, em sua 31.ª edição, fica em cartaz até 26 de junho, no Palacete Brando Barbosa, com propostas de 43 equipes de profissionais, entre arquitetos, designers de interiores e paisagistas. Programa obrigatório para os profissionais do setor, ela é igualmente imperdível para todos os interessados no estilo carioca de viver e decorar.