Casa em Florianópolis fica na altura das árvores

Marina Pauliquevis - Impresso

Para entrar no imóvel, erguido sobre pilotis, é preciso atravessar uma passarela

Na face norte da casa, o beiral protege do sol forte no verão

Na face norte da casa, o beiral protege do sol forte no verão Foto: Eduardo Gianni/Divulgação

Ao norte da ilha de Florianópolis, uma clareira na mata atlântica, criada pela formação rochosa no terreno, foi o lugar escolhido para erguer uma casa pensada para, desde o início, causar o menor impacto possível no meio ambiente. “Trabalhei com o conceito de intervenção mínima, o que inclui, por exemplo, não fazer terraplenagem”, diz o arquiteto Eduardo Gianni, responsável pelo projeto.

A casa, de 120 m², não encosta no solo, está suspensa por pilotis de concreto a uma altura que varia de 4 a 5,5 metros, conforme a inclinação do terreno. “Ela fica solta, embaixo, a vegetação rasteira e de sombra já está crescendo.” A única forma de entrar no imóvel é atravessando uma passarela, acessada por uma trilha.

Sobre lajes de concreto, a estrutura principal é formada por lâminas de eucalipto pré-fabricadas, com paredes de alvenaria em alguns módulos. Isso garantiu a montagem rápida da casa, com apenas três operários, em cerca de duas semanas. “Só isso já minimiza o impacto com canteiro de obra”, diz Gianni. Telhas metálicas, leves, exigiram menos madeira como suporte. E, como os proprietários, um casal aposentado, queria que a casa tivesse alguma autonomia, foram instalados painéis de energia solar e sistemas de tratamento de esgoto e reúso de água.

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O conforto térmico foi uma das grandes preocupações do projeto, já que a temperatura na ilha atinge extremos ao longo do ano. O ambientes voltados para leste e oeste são protegidos do sol pela vegetação; os da face norte, orientação principal da casa, contam com um beiral que sombreia os cômodos no verão e deixa passar o sol no inverno. Na face sul, um painel metálico com isolante térmico protege dos ventos frios.

Lá de dentro, dos dois níveis da casa, a vista é toda verde. “A casa surge da vegetação. Ela está na altura das copas e tem uma relação interna bonita com o verde”, afirma o arquiteto.

No living, com grandes portas de vidro voltadas para a varada, sala e cozinha formam uma coisa só e no meio do ambiente a lareira deixa tudo acolhedor. “Os moradores queriam que o fogo tivesse papel central, para reunir todo mundo ao redor dele.” Essa ilha acomoda ainda a bancada com cooktop e cuba. No nível inferior, estão os dois quartos, um banheiro e uma sala para prática de ioga. “Os moradores queriam mudar de vida e na casa nova encontraram a possibilidade de uma rotina mais rural.”