Caminho para o garimpo

- O Estado de S.Paulo

Confira o tour da artista plástica Cynthia Gyuru e sua busca por antiguidades nas mecas de usados de SP

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Reportagem de Julia Contier

Produção de Ângela Caçapava

Fotos de Zeca Wittner

 

Existem muitas opções e maneiras de comprar móveis antigos. O bairro de Pinheiros, em São Paulo, é um dos que mais concentram lojas de móveis e acessórios do gênero – em ruas como a Cardeal Arcoverde e João Moura. Ainda no mesmo bairro, acontece a feira da Praça Benedito Calixto, aos sábados. "A dica é chegar cedo para pegar coisas boas, leia-se qualidade, bom preço e originalidade", avisa a artista plástica Cynthia Gyuru.

 

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"A loja Herrero, no Itaim, (ao lado) e a Casa Velha, na Angélica, são as que mais se assemelham com as feirinhas porque é possível topar com uma poltrona incrível e com um lustre detonado", comenta Cynthia. "Hoje em dia vendo muitos móveis da década de 60 e 70", conta o dono da loja, Félix Herrero

 

De tanto procurar objetos que possam ser customizados, Cynthia conheceu outros pontos famosos na cidade, como o Lar Escola São Francisco, que mantém um bazar na Vila Mariana, e a feira dominical do Bexiga, na Praça Dom Orione.

 

Segundo o dono da Coisas de Lolita, José Roberto Pratti, a maioria dos produtos à venda na loja são réplicas. "São criações nossas com base em algum design de época", ele explica. E Beto comenta quanto a clientela do Bexiga mudou nos últimos tempos: "Hoje vêm muito arquitetos, decoradores e pessoas antenadas"

 

Mas, para fazer uma boa compra, é preciso ficar atento aos perfis de um lugar e de outro. Há lojas que vendem apenas móveis com design assinado por nomes como Sergio Rodrigues – é o caso da Privilégio, nos Jardins. Já na Coisas de Lolita, no Bexiga, há muitas réplicas. Na Herrero, no Itaim, e na Casa Velha, na Angélica, o cliente tem a sensação de estar em um depósito, mas pode encontrar clássicos de Mies Van der Rohe e Eero Saarinen.

 

"Aqui você encontra raridades e madeiras que nem existem mais", conta Sônia Montioni, proprietária da loja Privilégio, nos Jardins

 

De acordo com o arquiteto Antônio Ferreira Júnior, compradores iniciantes devem visitar as lojas com pessoas entendidas para saber se a peça é autêntica e se o valor pedido está correto. E Cynthia Gyuru recomenda fidelidade a uma loja ou a um expositor. "Assim, se tiver qualquer problema com a peça é possível voltar para um conserto ou uma eventual troca."

 

RESTAURAÇÃO

Veja como estava e como ficou o sofá de ferro após o trabalho da restauradora Julieta Cury, da loja Particolare Casa, abaixo:

 

ANTES | A ferrugem foi removida no processo de pintura. A cor verde foi escolhida para combinar com o jardim ambientado com flores na cor rosa

 

DEPOIS | O azulejo deu preferência ao vidro, que suja com muita facilidade em ambiente aberto, o colchão de espuma dá mais conforto e as almofadas trazem leveza ao sofá