Bom tempo

Rodolfo Almeida - O Estado de S.Paulo

Livro de Adélia Borges repassa o trabalho de uma década do designer catarinense Jader Almeida

O design deve suportar o peso do tempo. É com essa máxima que o catarinense Jader Almeida define seu trabalho. Aos 33 anos, ele é um dos principais representantes de uma geração de jovens designers brasileiros que têm conquistado destaque nacional e internacional.

O conceito de design no tempo, aliás, é a base do livro A Atemporalidade do Desenho, da editora C4, que traz uma compilação da última década de trabalho do arquiteto, com mais de 150 criações de seu portfólio. Escrito pela jornalista e pesquisadora em design Adélia Borges, o livro foi lançado na semana passada, acompanhado de uma exposição de sua obra na Praça Victor Civita, durante as atividades do Design Weekend.

Nascido em Florianópolis, Almeida conta que teve seu primeiro contato com a indústria moveleira logo cedo, aos 16 anos. “Geralmente, as pessoas decidem a profissão, estudam e depois começam a trabalhar. Comigo aconteceu o inverso, comecei no chão de fábrica, depois fui para a escola e, mais tarde, para o mundo.”

Denise Andrade
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A proximidade com o ambiente industrial se tornaria fundamental para a obra de Almeida, que concilia a inovação estética com a acessibilidade da produção em larga escala. Mais tarde, estudando arquitetura no Paraná, iniciou suas pesquisas em design e passou a integrar a equipe da LinBrasil, em Curitiba, produtora da linha de móveis do renomado arquiteto Sergio Rodrigues – até hoje, uma das maiores influências em seu trabalho. 

A estética limpa e o interesse pela simplicidade nas formas são marcantes no trabalho do designer, culminando em obras premiadas, como a cadeira Bossa, ganhadora da 22ª edição do prêmio do Museu da Casa Brasileira e integrante do acervo da instituição, e a poltrona Mad, ganhadora do alemão iF Product Design Awards 2014.

Para Adélia, a obra de Almeida se insere em uma terceira geração do design brasileiro diretamente influenciada pela experiência modernista, seguindo o caminho de Lina Bo Bardi e Sergio Rodrigues, a partir dos anos 40, e de Cláudio Motta e Cláudia Moreira Salles, nos anos 80. “O interesse em uma linguagem muito direta, que lida com o essencial é muito ligada a um pensamento moderno, e Jader busca se reinventar dentro dessa linhagem.”

Para ele, a preocupação principal de seu trabalho é a relação das pessoas com os objetos. “As pessoas criam uma relação com os objetos e eles também são um testemunho das pessoas. Quero que meus produtos sejam um bom testemunho tanto meu quanto de todos que forem se cercar deles, que acompanhem as pessoas pelo tempo.”