Beleza de instrumento

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Eletrodomésticos de design expressivo fazem a diferença na escolha. E o retrô ainda tem vez

Entre dois produtos que se equiparam em preço, função e qualidade, o mais atraente vai sempre ocupar a dianteira das vendas. Formulado no início do século passado pelo engenheiro francês Raymond Loewy - um dos primeiros projetistas a introduzir mudanças significativas no desenho dos eletrodomésticos -, o princípio não dá margem a dúvidas: em se tratando de eletrodomésticos, o visual, tanto quanto o desempenho, é fator decisivo na hora da compra. No caso de Loewy, estima-se que, no auge de sua carreira, mais de 75% dos americanos tenham tomado contato com ao menos um de seus projetos. "Entre todas as curvas, a de vendas é a minha preferida", alfinetou o designer, famoso pela sinuosidade de suas criações, de locomotivas a refrigeradores. Um repertório formal que cai como luva nas cozinhas contemporâneas repletas de equipamentos indiferenciados - e, no qual, a presença de equipamentos visualmente expressivos é mais do que bem-vinda. Torradeiras, cafeteiras, batedeiras e liqüidificadores, sobretudo em desenhos que revisitam os formatos orgânicos e angulosos dos tempos de Loewy - era de crença na tecnologia e no futuro, de generosidade de formas e de curvas. No melhor estilo da emblemática Kenwood Chef, batedeira lançada pelo inglês Kenneth Wood em 1950, que, em suas diversas releituras, conserva praticamente o mesmo padrão de funcionamento do modelo original.Um best-seller internacional, responsável pela introdução de padrões de funcionamento semi-industriais, até então inéditos em equipamentos destinados ao ambiente doméstico e cujo desempenho comercial certamente não pode ser creditado apenas às habilidades de marketing de seu criador. "Apelo aos olhos é apelo às compras", assim pontificou o designer inglês que há mais de meio século colocou a batedeira no topo das listas de casamento de todo mundo. E, ao que tudo indica, sem concorrentes à vista.