Banco campeão

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Após conquistar a primeira colocacão no Prêmio Design MCB e do Salão Design, de 2015, o banco Ratoeira, de Mariana Betting e Roberto Hercowitz, do estúdio carioca em2 Design, conquista um iF Design: espécie de Oscar do setor, concedido anualmente pela feira de Hannover, na Alemanha.

Os designers Mariana Betting e Roberto Hercowitz, do estúdio carioca em2 Design 

Os designers Mariana Betting e Roberto Hercowitz, do estúdio carioca em2 Design  Foto: RHODINEI PEDROSO/DIVULGAÇÃO

Para Mariana Betting e Roberto Hercowitz, do estúdio carioca em2 Design, um móvel conquista sua excelência quando, para além da sua forma, traz evidenciado seu aspecto funcional. Se ainda conter uma grande sacada, bom, aí, já se torna um campeão. Ao menos é o que comprova a trajetória de uma das mais ilustres criações da dupla: o banco Ratoeira, primeiro colocado do Prêmio Design MCB e do Salão Design, de 2015, e agraciado, na semana passada, com um iF Design: espécie de Oscar dos setor, concedido anualmente pela feira de Hannover, na Alemanha. “Claro que a simplicidade formal pesou. Mas acredito que foi a solução de travamento que deve ter contado pontos”, afirma Mariana, que ao lado do sócio, falou ao Casa sobre a mais recente conquista.

Como o desenho da ratoeira inspirou a criação do banco?

Roberto Hercowitz: Primeiro pelo desenho, propriamente dito, que prende o rato e, depois, pela pressão que a peça exerce sobre ele no instante em que é capturado. No banco, a solução de travamento parte deste princípio elementar e descomplicado. Os pés são travados ao assento, através da “alavanca” ocasionada pela divisão dos tubos metálicos, aproveitando-se do próprio peso das pessoas sentadas nele, de forma que, quanto maior o peso exercido, maior a trava.

O banco Ratoeira, de Mariana Betting e Roberto Hercowitz do estúdio em2 Design, agraciado com um iF Design Award 2017

O banco Ratoeira, de Mariana Betting e Roberto Hercowitz do estúdio em2 Design, agraciado com um iF Design Award 2017 Foto: RHODINEI PEDROSO/DIVULGAÇÃO

Foram dois primeiros lugares em conceituados concursos aqui e, agora, o iF Design. Para vocês, o que fez do Ratoeira um móvel tão premiado?

Mariana Betting: A partir de nossa experiência podemos dizer que um móvel se destaca em um concurso quando traz a questão da funcionalidade bem resolvida, para além da abordagem formal ou estética. É importante ainda que ele apresente uma boa sacada, seja do ponto de vista da produção ou dos materiais utilizados. O que é válido, inclusive, para a sua solução de transporte. No caso do Ratoeira, acreditamos que a peça se destacou por sua simplicidade. Temos uma prancha de madeira que se une a dois pés de aço, resultando em um banco. Outro aspecto interessante é que ele pode ser desmontado em três partes e colocado dentro de uma caixa fina, o que resulta em uma expedição mais barata. A escolha dos materiais nos parece também bastante apropriada: a calidez da madeira em contraposição à frieza do metal. Os dois materiais interagindo e viabilizando tecnicamente a solução pretendida. 

O que uma premiação no iF representa para designers e consumidores?

O iF não identifica primeiros lugares. Em vez disso, ele certifica o bom design. Atesta a qualidade de um desenho aliado à capacidade de sua produção de maneira diferenciada, singular. Para o designer, representa a certeza de que seu produto foi escolhido por um time competente de profissionais, de várias partes do mundo. Aos olhos dos consumidores, um selo de qualidade que indica um produto com excelência em design e de alto valor agregado.

Detalhe do encaixe do Ratoeira, um dos pontos altos do banco

Detalhe do encaixe do Ratoeira, um dos pontos altos do banco Foto: RHODINEI PEDROSO/DIVULGAÇÃO