Artesanato do futuro

- O Estado de S.Paulo

Pelas mãos dos designers, a tecnologia é colocada a serviço das formas da natureza

Programas complexos, máquinas digitalizadas, materiais de ponta. Todos os recursos tecnológicos disponíveis a serviço de uma maior interação com as formas da natureza. É essa a sensação que se tem ao percorrer os corredores da Euroluce, feira de frequência bienal, que se realiza paralelamente ao Salão do Móvel e apresenta ao mundo o melhor da produção internacional nos segmentos de iluminação funcional e decorativa.

Pendentes amebóides, de inspiração orgânica, esferas de luz, lustres hiperdimensionados - ou que cabem na palma da mão - pontuaram a maioria das coleções. Em comum, a valorização do lado escultural do equipamento luminoso, além da extrema atenção aos aspectos subjetivos da luz, tais como o jogo de sombras e as nuances de textura: o artifício do momento para decorar paredes com brilhos particulares.

Ao contrário da abordagem funcionalista de tempos recentes, a dimensão artística da iluminação ganhou pontos. Assim como o uso renovado de materiais como o policarbonato, que ressurgiu em luminárias de inegável densidade poética: todas muito leves, quase virtuais, como se saídas diretamente da tela de um computador, para viajar sem destino pelo espaço cósmico.

Em tempos de LEDs em alta, as luminárias de mesa ganham contornos mais leves e lineares. Longe vai o tempo em que à microlâmpada de baixo consumo era atribuída apenas uma função decorativa. Ao contrário da incandescente, com seu tradicional bulbo em formato de pera, um objeto hoje quase em extinção. E, até por isso, poeticamente homenageado em inúmeras criações.