Juliana Vasconcellos fala sobre transição para o mundo do design

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Arquiteta que hoje desenha móveis tem sua produção veiculada com importantes galerias do mundo

A linha Gosth, de mesa e aparador de aço inoxidável, produzida em parceria com a Mekal. 

A linha Gosth, de mesa e aparador de aço inoxidável, produzida em parceria com a Mekal.  Foto: André Klotz

 

O ofício de desenhar móveis surgiu na trajetória da arquiteta Juliana Vasconcellos a partir de suas vivências de escritório. “Comecei a projetar peças específicas para personalizar meus interiores até que um dia resolvi pensar neles de forma independente”, afirma a hoje, também, designer, que conta com sua produção veiculada em importantes galerias de design colecionável do mundo, como a Nilufar, de Milão. "Minha primeira oportunidade de mostrar meu lado designer se deu quando eu participei da Mostra Black, em 2015, em São Paulo. Eu e o Matheus Barreto executamos um ambiente com móveis futuristas que havíamos desenhado e recebemos um convite da Legado Arte para criar móveis de design contemporâneo”, conta Juliana, que, de lá para cá, não parou mais, tendo participado de feiras especializadas como a Made, a ArtRio e a SP-Arte, além das semanas de design de São Paulo e de Milão; conforme ela ralata nesta entrevista ao Casa

 

A arquiteta e designer Juliana Vasconcellos.

A arquiteta e designer Juliana Vasconcellos. Foto: André Klotz

Como se deu a sua transição do mundo da arquitetura para o de design de mobiliário?

Nos primeiros anos de formada só trabalhei com arquitetura. Passados uns cinco anos, mais ou menos, eu sentia o mercado um tanto quanto engessado e decidi me aventurar nos interiores para poder produzir desenhos mais artísticos, mais alinhados a um conceito. Assim, de forma natural, comecei a desenhar os móveis para dotar os projetos de maior coerência e personalidade e foi a partir deles que foram surgindo minhas primeiras coleções.

Você viveu em algumas cidades do mundo onde o mercado do design colecionável é bastante consolidado. Como vê a cena brasileira no setor?

Vejo nos últimos cinco anos um avanço enorme impulsionado especialmente por feiras como a Made, a ArtRio e a SP-Arte. Esses eventos movimentam o mercado criativo de design contemporâneo, que aproveitou a carona da supervalorização dos móveis modernos brasileiros, de onde vieram, inclusive, os primeiros colecionadores de mobiliário. Hoje muitos colecionam exemplares de séries limitadas produzidos também por designers contemporâneos. Mas ainda acho que temos muito a crescer. O fato de alguns profissionais já estarem no circuito internacional ajuda a chamar a atenção para o que está sendo feito por aqui agora, destacando nossa produção. Os Irmãos Campana são o maior exemplo disso.

A matéria-prima parece ser prioritária em seus móveis. É a partir dela que surge o desenho?

Na maioria das vezes, sim. A matéria define a plasticidade, as formas, as técnicas possíveis a serem exploradas, o que acaba delineando a peça. Adoro pensar em um material e as ideias virem na sequência. Mas o contrário também acontece, a forma vindo anteriormente a ele.

 

Poltrona Girafa, para a Arti.

Poltrona Girafa, para a Arti. Foto: Archi Image