Apetite punk

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Enter a arte e o design, mas sem a menor intenção de se definir a respeito, designers do Studio Job falam de seus planos e carreira

Foto: Marcelo Lima

Celebramos a estranheza de nossos tempos, com um certo apetite punk ”, dispara Nynke Tynagel, do Studio Job: ateliê de design fundado por ela e seu marido, Job Smeets, no começo do século e hoje sediado em Bruxelas e Amsterdã. Atualmente, um dos estúdios de maior evidência na cena internacional, computando nada menos que 50 projetos em andamento, incluindo peças para a coleção Landmark, que traz grandes monumentos metamorfoseados em móveis de bronze e ouro. “Batizamos essa peça de Fonte da Eterna Juventude, em homenagem à lenda do colonizador Ponce de Leon”, afirmou Smeets ao Casa, em dezembro, durante o lançamento da escultura que a dupla desenhou para o hotel Faena de Miami. 

Como vocês se conheceram e por que optaram por trabalhar juntos?

Foi durante a faculdade, em Eindhoven, (Holanda). Acho que resolvemos unir forças, nos inspirar mutuamente. Nynke tem uma abordagem mais bidimensional e eu sou mais 3D. Portanto, fazia todo o sentido desenvolver um trabalho conjunto. Digamos que operamos em campos diferente, mas sempre com um objetivo comum.

Foto: Marcelo Lima

As peças apresentadas na última edição da Design Miami foram inspiradas em grandes monumentos mundiais e construídas em metais nobres. Qual ideia norteou o projeto?

Trabalhamos com ícones e a arquitetura nos diz muito sobre cultura, política, religião, arte. Nada fica de fora. Apesar de as obras enfocadas terem sido produzidas em diferentes períodos e em momentos diversos da nossa carreira, o interessante é que, em Miami, elas apareceram pela primeira vez como uma autêntica coleção. E, como tal, não deixa de se constituir uma homenagem aos dias de glória das artes aplicadas, nos séculos 16 e 17, quando artesanato e arte se fundiam, caminhavam juntos.

O conceito se mantém no projeto que vocês estão desenvolvendo para o grupo Faena ?

De certa forma, sim, embora as escolhas não tenham sido assim tão abertas. Desenhamos portões, fontes e instalações escultóricas nas quais procuramos incorporar imagens simbólicas que são essenciais para o universo Faena. Como em grande parte de nosso trabalho, tudo se sobrepõe, mas tais elementos conservam sua própria identidade. Nosso desafio foi apreender esses símbolos visualmente e apresentá-los ao mundo como a visão global da marca. 

Foto: Marcelo Lima