Apartamento em Miami é refúgio para casal de brasileiros

Marcelo Lima - Impresso

Arte e mobiliário nacional são protagonistas em endereço estrelado da cidade

A arquiteta brasileira radicada nos Estados Unidos Cristiana Mascarenhas assina o projeto deste apartamento em Miami que se tornou um refúgio para um casal de brasileiros que vive em Nova York

A arquiteta brasileira radicada nos Estados Unidos Cristiana Mascarenhas assina o projeto deste apartamento em Miami que se tornou um refúgio para um casal de brasileiros que vive em Nova York Foto: Costas Picadas/Divulgação

Existe um trecho da Avenida Collins, que se estende da rua 41 à 62, que sintetiza bem a ideia que circula pelo imaginário coletivo quando o assunto é morar em Miami. Célebre por suas praias de água cristalina e areia macia, a região é reverenciada por concentrar alguns dos apartamentos mais luxuosos da cidade. Muitos dos quais de propriedade de moradores do norte dos Estados Unidos, um público para quem a localidade se reveste de um significado especial.

“Desde o início do século passado, quando foi loteada, a área tem se convertido em um destino seguro para quem pretende deixar os rigores do inverno para trás e desfrutar da atmosfera tropical da Flórida”, conta a arquiteta Cristiana Mascarenhas, autora do projeto deste apartamento de 240 m², localizado no coração de Miami Beach.

Siga o Casa no Instagram e use a hashtag #casaestadao

Um confortável imóvel com vista para o mar e distribuição em dois pavimentos: o inferior, concentrando sala, cozinha e lavabo. E o superior, com a suíte do casal, o escritório e o banheiro para hóspedes. Na medida exata para atender às expectativas de um casal de brasileiros, amante das artes e praticante de golfe.

“Eu já havia feito o apartamento deles em Nova York, de forma que quando me chamaram para este trabalho já tinham uma noção bastante clara do que queriam. Em resumo, um projeto afinado com a atmosfera luminosa da cidade”, sintetiza Cristiana.

Na verdade, segundo ela, a intenção inicial era apenas decorar o imóvel. Até que um encontro com os proprietários, in loco, revelou um potencial bem maior. “Senti que algumas mudanças seriam essenciais para dotar os ambientes de melhores condições de luminosidade e de integração. Em especial tendo em vista o objetivo fundamental de oferecer plenas condições de exposição para a menina dos olhos do casal, a sua preciosa coleção de arte.”

Nesse sentido, o projeto luminotécnico recebeu, desde o início, atenção redobrada. Nas áreas onde o teto pode ser rebaixado, spots embutidos oferecem focos pontuais. Nas demais, luminárias avulsas dispostas entre os móveis oferecem iluminação difusa. Já na escada, uma calha de gesso guarnecida com LEDs dá conta do recado.

Curta a página do Casa no Facebook

Frente, porém, à presença maciça do branco, tom dominante na decoração, a arquiteta se viu diante da necessidade de produzir um contraste mínimo entre piso, paredes e móveis. “Em se tratando de Miami, o sol, claro, sempre é mais do que bem-vindo. Mas, para atenuar a intensa claridade do apartamento, não tive outra escolha a não ser substituir o piso original pelo travertino escuro.”

E as mudanças não pararam por aí. “Decidi trocar os revestimentos da cozinha existente, optando por materiais como o Corian, também em versão branca, para que ela pudesse se integrar melhor à decoração da sala, sem chamar tanta atenção. Além disso, criei uma espécie de closet, logo abaixo da escada de acesso ao segundo andar para servir de depósito ao carrinho de golfe do casal”, conta.

Duas alterações simples, mas que não escaparam do crivo dos órgãos de fiscalização locais. “A parte mais trabalhosa de construir em Miami é obter os chamados ‘permits’, ou guias de autorização emitidos pela prefeitura. Eles são exigidos para praticamente tudo, o que pode acarretar atrasos no cronograma. É preciso ficar atento”, adverte a arquiteta.