Apartamento dos anos 60 é decorado de forma eclética

Marcelo Lima - Impresso

Situado nos Jardins, em São Paulo, projeto reúne objetos e móveis de diferentes épocas e estilos

Aparador com estrutura de ferro, em área de transição entre o home theater e a sala de jantar

Aparador com estrutura de ferro, em área de transição entre o home theater e a sala de jantar Foto: Zeca Wittner/Estadão

Uma inspirada viagem por diferentes épocas, capaz de fazer conviver, sob um mesmo teto, móveis de família, clássicos do design moderno, além de generosas pitadas de art déco. Sem falsos pudores, é de assumido ecletismo a atmosfera que reina no apartamento onde vivem o arquiteto Gil Cioni e o advogado Rogério Pecchiae, situado em uma das principais vias do bairro dos Jardins, em São Paulo. “Apesar de contarmos com peças de épocas bem definidas, não queríamos cultuar nenhum estilo específico neste projeto. Muito pelo contrário”, conta Cioni.

Partiu dele, por exemplo, a ideia de reproduzir no hall de entrada do apartamento o clima dos edifícios nova-iorquinos dos anos 30, com direito a porta pantográfica de metal, arandela de vidro de Murano e espelho veneziano sextavado. E, igualmente, de contrapor a um cenário dominado por móveis de época toda a atualidade da luminária Meltdown, desenhada por Johan Lindstén para a marca italiana Cappellini.

“Goste-se ou não do resultado, acho que é justamente essa mistura que torna nosso apartamento interessante”, considera Pecchiae, parceiro do arquiteto em todas as etapas do projeto: da aquisição do imóvel à disposição das flores nos vasos no dia da inauguração, sete meses após o início da reforma.

Sem dúvida que o fato de o imóvel, de 250 m², construído nos anos 60, não ter passado por nenhuma remodelação antes de ser adquirido pela dupla facilitou as coisas. “A arquitetura era generosa, a iluminação natural farta, mas os ambientes eram compartimentados demais, inadequados para o viver contemporâneo”, conta o arquiteto, que de imediato decidiu abolir alguns espaços. “Abrimos mão de um dos quartos de empregada e ganhamos uma cozinha e uma área de serviço maiores. Juntamos dois quartos e temos hoje um confortável dormitório para hóspedes”, conta Cioni.

Em contraste com a ousadia da decoração, o layout do apartamento prima pela simplicidade: após atravessar a porta do hall de entrada, o visitante se depara com um amplo living, separado da sala íntima por uma parede com lareira, revestida de pedra. Na outra extremidade, uma porta pivotante, decorada com a imagem de moças orientais conduz à área íntima, que concentra a suíte do casal e as dependências reservadas aos hóspedes.

A partir do living, uma porta de correr, reproduzindo um desenho de época, dá acesso à sala de jantar, ambiente que se interliga à cozinha. Também em solução de continuidade, a área de serviço se abre ao fundo.

Exemplo evidente do descompromisso da dupla com regras de “bem mobiliar”, uma mesa de jogos, rodeada por quatro poltronas, separa os dois setores da área social. “É um dos espaços mais concorridos da casa. Ótimo para reunir os amigos para papear, tomar um aperitivo ou mesmo para um jantar de fim de noite. Ninguém quer sair daqui”, diz Pecchiae.

Bem feitas as contas, quase nada – com exceção das obras de arte, incluindo a escultura aramada que reproduz uma figura humana e que compunha o acervo de um banco extinto – migrou das antigas moradas do arquiteto. Um quarto dos itens que compõem a decoração, caso das duas poltronas francesas e de um antigo trenó, foi herdado da família. Todos os demais móveis e acessórios foram adquiridos pelos moradores, especialmente para o projeto.

“Nos meus dois apartamentos anteriores, estava bem mais preocupado com questões de estilo. Mais com o que quem me visitasse fosse pensar da decoração do que propriamente com o que ela pudesse significar para mim”, reconhece Cioni, que hoje diz se sentir, finalmente, em casa. “Enfim, como meus amigos dizem, pode ser a maturidade que chegou. Mas, sem dúvida, este é o mais autoral dos meus trabalhos.”

Zeca Wittner/Estadão
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