Ampliar, o desejo de Julio

- O Estado de S.Paulo

Em vez de viajar e descansar, o radialista Julio de Paula passou as férias de 2007 atrás de um apartamento para comprar. A idéia era continuar morando em Perdizes ou ir para Pinheiros, mas ele não achou nada de interessante nesses bairros. Então resolveu bater pernas no Centro velho da cidade, onde encontrou um apartamento de 72 m², em um prédio de 1958 na Alameda Eduardo Prado, pronto para morar. "Apenas o banheiro estava em mau estado. A pintura das paredes era boa. Se quisesse, era só mudar", conta. Apesar disso, Julio resolveu modificar a planta original e encarou seu lado arquiteto e empreiteiro. Com a consultoria dos amigos e arquitetos Gustavo Calazans, Juliana Fiorini e Annamaria Binazzi, tocou sozinho a obra, que ampliou os ambientes, antes compartimentados, e permitiu que a luz natural se espalhasse pelos espaços. O apartamento tinha um hall de entrada onde se distribuíam as portas de acesso à sala (fechada, como um quarto), aos dois dormitórios e à cozinha. Como é solteiro e vive com a gata Fulô, Julio derrubou todas as paredes, com exceção daquelas do quarto e do banheiro.Com as mudanças, as vigas do teto ficaram aparentes e, por sugestão de Gustavo Calazans, Julio as manteve no concreto e aplicou silicone para protegê-las. Assim, a área social ganhou um elemento visual escultórico, que combina com o marrom quase preto usado no cubo de alvenaria entre o home office e a cozinha. Nesse cubo fica o banheiro de serviço, que ?sobrou? no estar quando as paredes do quarto de empregada foram abaixo para dar lugar ao home office.Hoje, enquanto a cozinha não tem os móveis definitivos, entre eles o nicho para a geladeira, o tal cubo abriga o eletrodoméstico. "Fiz isso para não deixá-lo aparente na sala", diz Julio. Com a integração da cozinha ao living, o piso de cacos de cerâmica original da área de refeições foi trocado por tacos de peroba iguais aos do restante do apartamento, agora lixados e com acabamento em bona fosco (da Millenium Pisos, a partir de R$ 32 o m²). Uma intervenção para aumentar a entrada de luz no imóvel foi colocar, onde era a porta do quarto de empregada (voltada para a área de serviços), brises de vidro na vertical, que deram um ar retrô. A atmosfera do passado foi reforçada pela parede com elementos vazados de cerâmica (cobogós), levantada à frente das portas do quarto e do banheiro. "Sugestão do Gustavo para isolar a ala íntima", conta Julio, que encontrou as peças no Museu dos Azulejos.O banheiro foi o único ambiente renovado, com troca de louças e revestimentos (mas a banheira antiga foi mantida). O piso de cacos de cerâmica deu lugar a pastilhas de vidro preto Jatobá (2,5 cm x 2,5 cm, R$ 58,99 o m², sob encomenda na Telhanorte), também usadas nas paredes da área molhada. A decoração teve toque especial de Julio, que é um garimpeiro nato. Ele pesquisa a cultura popular do Brasil e a alma curiosa transparece, claro, em sua casa. Vai da mesa de jantar mineira achada no Embu ao par de cadeiras de cinema - agora restauradas - compradas na rua Cardeal Arcoverde, mesmo endereço da Juliano Antiguidades, de onde veio o armário acima da pia da cozinha. Sem falar nas gravuras, xilogravuras e oratórios, entre outros objetos de arte, espalhados pelos ambientes.Esses elementos se misturam com estilo a peças contemporâneas, caso do sofá Bumerangue, criado por Marcelo Rosenbaum, e da mesa lateral de Paulo Rea. Mas o apartamento ainda é obra inacabada. Falta arrumar o escritório que "está num improviso" e bolar uma maneira de acomodar os 2 mil CDs do produtor do programa Supertônica, da rádio Cultura FM.