Alimento para os sentidos

Marisa Vieira da Costa - O Estado de S.Paulo

O colorido e a delicadeza dos pratos japoneses são atrações nas reuniões de amigos que Suely Waki promove em sua cozinha moderna

Suely e Hideo Waki estão casados há 37 anos e cultivam hábitos do bem viver. Têm um grupo de amigos com quem viaja e se reúne pelo menos uma vez a cada dois meses para noitadas gastronômicas, na ampla casa onde moram há sete anos, no Butantã. Cozinheira de mão cheia, Suely programa cardápios temáticos, invariavelmente de acordo com o filme a que a turma assiste. "Se for filme japonês, vejo o que os atores estão comendo e preparo o mesmo prato. Se for americano antigo, pesquiso o que se comia nos Estados Unidos naquela época. Outro dia, por exemplo, assistimos a Quanto mais quente melhor (Billy Wilder, 1959) e por isso preparei coquetel de camarão, frango ao curry e ponche", conta Suely, uma nissei miúda que monta os pratos japoneses com dedos delicados e hábeis. Uma vez por semestre, Suely e seus amigos se juntam para freqüentar aula de culinária de um chef japonês, que ensina os segredos da boa mesa nipônica. "Vai todo mundo para a cozinha aprender a fazer caldos básicos e cozidos. Vira uma farra", diverte-se Suely, que costuma tirar um dia por mês para compras na Liberdade (sobretudo em mercearias, como a Casa Bueno ou Marukai). Arroz japonês, missô, saquê, temperos, algas, chás e doces não faltam na iluminada e bem equipada da cozinha, "plantada" como um cubo num amplo espaço - com piso de pastilhas azuis - que abriga um jardim japonês, sala de estar, sala de jantar e churrasqueira, tudo integrado e com vista para um bem cuidado jardim nos fundos da casa. Idealizada pelo arquiteto Fernando Furuiti, que comandou a reforma de toda a casa, a cozinha não é muito grande, mas dá de dez no quesito praticidade. "Minha idéia, discutida com a Suely e o Hideo, foi criar um lugar iluminado e integrado aos demais ambientes do térreo", diz o arquiteto, lembrando que a cozinha original da casa era fechada e escura. O primeiro passo foi aumentar o espaço, retirando dois metros de um corredor sem uso, e cobrindo-o com vidro aramado inclinado. Sob esse, o toque oriental: uma peça de madeira com grandes quadrados vazados que remetem ao mom, aquele pórtico que se vê na entrada dos templos japoneses e que representa a passagem da vida material para a espiritual. "Além da idéia filosófica, serviu para não deixar o vidro do teto escancarado", diz Fernando. Outra sacada foi instalar vidro nas portas e no que seria a parede que dá para o estar. "Além de passar a sensação de que se está num aquário, essa janela estabelece a comunicação com o salão", explica ele. Assim, do lado da cozinha, a janela fica sobre uma pia de granito verde para lavar alimentos; e, do lado da sala, um aparador. O granito verde se estende à ilha central que tem, num extremo, o fogão Lofra com cinco queimadores (R$ 7.499 no site da Shoptime) e, no outro, a pia para lavar louça e aos tampos de duas bancadas. No fundo, abaixo do teto inclinado, um armário-despensa desenhado pelo arquiteto (e executado pela Marcenaria Dois Irmãos). Tomando uma parede, o móvel tem prateleiras e três portas - uma azul-escuro, outra verde e a terceira grafite. Como toda descendente de japoneses que se preza, Suely espalhou nas prateleiras objetos referentes ao Japão, como panela elétrica para arroz (a partir de R$ 245 na Marukai), chaleirinhas e tigelas, combinação interessante ao lado dos livros de culinária, garrafas e latas de alumínio com vidro para mantimentos (na Oficina de Agosto, a partir de R$ 65 cada uma).