Ainda que em ambientes fechados por vidros, plantas e flores exigem atenção e cuidados

Vivian Codogno - O Estado de S. Paulo

Primeiro aspecto a se levar em consideração ao pensar um jardim composto unicamente por vasos, em um ambiente fechado, é o grau de envolvimento desejado dos habitantes da casa com o mundo vegetal

Enfim a estação mais florida do ano chegou. Inclusive para aqueles que não têm nos fundos de casa um quintal para cultivar um canteiro e dispõem apenas de uma varanda incorporada aos interiores de seus apartamentos, uma situação hoje cada vez mais comum. Segundo os arquitetos, tudo vai depender do respeito às necessidades de cada planta empregada nos projetos.

Jardim de vasos em varanda incorporada. Projeto da arquiteta Gabrielle Fuzinato

Jardim de vasos em varanda incorporada. Projeto da arquiteta Gabrielle Fuzinato Foto: Mariana Orsi|Divulgação

“Em primeiro lugar, precisamos avaliar se há ou não incidência de luz solar no ambiente que vai receber as flores”, explica a arquiteta Elaine Gonzalez, que assina diversos projetos do gênero na capital paulista. “É preciso levar em consideração também se a área fica aberta ou fechada na maior parte do dia, pois há plantas que não se adaptam a ambientes fechados. Nem mesmo naqueles vedados por vidro transparente, caso eles permaneçam fechados por longos períodos”, observa.

Nos casos em que a incidência de luz natural é intensa, como em uma varanda cujo pilar estrutural ela resolveu revestir de flores, Elaine analisa o perfil dos moradores antes de fazer um diagnóstico e encaminhar uma solução. Para ela, o primeiro aspecto a se levar em consideração ao pensar um jardim composto unicamente por vasos, em um ambiente fechado, é o grau de envolvimento desejado dos habitantes da casa com o mundo vegetal.

Pilar de sustentação foi aproveitado como suporte para orquídeas e avencas em varanda planejada pela arquiteta Elaine Gonzalez

Pilar de sustentação foi aproveitado como suporte para orquídeas e avencas em varanda planejada pela arquiteta Elaine Gonzalez Foto: KELLY PACIULO|Divulgação

“Primeiro de tudo, o morador precisa assumir se ele realmente curte ou não cultivar plantas. Isso deve dar prazer a ele, não ser apenas uma obrigação”, avalia a arquiteta, que aplicou no projeto em questão orquídeas variadas, avencas portuguesas e suculentas, plantas especialmente resistentes à pouca incidência de sol. Uma jabuticabeira, também cultivada em vaso, foi incorporada ao projeto pelo morador do apartamento. “Quando o cliente gosta, a casa é florida o ano todo. Ele acaba tendo prazer em distribuir arranjos pela casa. Até mesmo as visitas desenvolvem o hábito de levar flores. É um ciclo”, comenta a arquiteta.

O desejo dos moradores em cultivar um jardim, e a impossibilidade de fazê-lo da forma mais convencional, também foi a mola propulsora para que a arquiteta Gabrielle Fuzinato propusesse um jardim formado por um conjunto de vasos na varanda incorporada de uma família paulistana. A ideia inicial, um jardim vertical, foi subvertida para o melhor aproveitamento de um espaço até então morto do ambiente: as ‘costas’ do sofá. Nesse caso, além de plantas ornamentais, a arquiteta investiu em antúrios, espécie que costuma sobreviver a longos períodos sem incidência direta de luz solar.

Orquídeas, suculentas e rendas portuguesas compõem a varanda projetada por Marina Linhares

Orquídeas, suculentas e rendas portuguesas compõem a varanda projetada por Marina Linhares Foto: Romulo Fialdini|Divulgação

“É possível revestir de plantas qualquer ambiente de uma casa”, defende Gabrielle. “Além do resultado estético muito interessante, existem atribuições funcionais que justificam o cultivo dentro de casa. Plantas grandes, por exemplo, podem esconder aspectos indesejados, como uma parede descascada”, explica.