Admirável mundo retrô

- O Estado de S.Paulo

Relíquias encontradas em lojas de usados ganham nova roupagem e deixam a casa como nos tempos da sua avó

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Reportagem de Julia Contier

Produção de Ângela Caçapava

Fotos de Zeca Wittner

 

Apaixonados por decoração procuram nas antiguidades estilo e personalidade, colecionadores incuráveis garantem que um móvel com história vale muito mais do que um novo, e um terceiro grupo está atrás do que é mais barato, quando se trata de móveis usados. Seja como for, o garimpo se justifica. Afinal, pode-se encontrar verdadeiras preciosidades no meio do caminho.

 

O legado da família, mais alguns itens comprados em lojas de usados, transformou a casa da ilustradora Veridiana Scartelli, de 30 anos, e do designer gráfico Celso Longo, de 32, em um apartamento retrô com um toque moderno. "Trocamos os tecidos das poltronas, pintamos a geladeira de azul, pegamos algumas gravuras que eram da minha tia avó das décadas de 50 e 60", conta a ilustradora. Já Neide Dantas, de 35 anos, moradora de um prédio construído em 1958, em São Paulo, tem um jeito particular de compor o antigo no ambiente. Na sala de jantar do seu apartamento, decorado pelo arquiteto Antônio Ferreira Junior, a mistura de móveis originais dos anos 50 e 60 com objetos contemporâneos reflete a personalidade ímpar da empresária. 

 

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Para a jornalista e adoradora de antiguidades Márcia Dutra, de 40 anos, móveis antigos têm muito mais charme. "É mais fácil eu falar o que é novo do que falar o que é antigo nessa casa", orgulha-se. Ela avisa ainda que o segredo para conservar essas raridades é ter bons restauradores. Mas, em oposição à valorização da história por trás do objeto, está o videomaker Rodrigo Moterani, de 33 anos, que aposta nessa mesma busca só para economizar.

CAFOFO RETRÔ

Bia Braune, de 32 anos, roteirista de TV, é adepta do visual "casa de vó" e fica nervosa com o minimalismo. "Onde essas pessoas guardam suas lembranças, a sua bagagem?" Como uma verdadeira caçadora de preciosidades baratas, principalmente no Mercado Livre, Bia criou uma das comunidades mais antigas do Orkut, que já passa dos 6.500 membros, a "Vá de Retrô". Depois dessa experiência, resolveu criar uma comunidade no Flickr, chamada "Cafofo Retrô". "O Flickr é uma excelente ferramenta de busca para ideias criativas" – além de ser um lugar onde as pessoas podem trocar dicas de lojas e serviços.

Entre os cerca de 100 membros que colocam fotos de móveis e objetos de decoração com visual retrô – sejam eles antigos ou versão remix – está Viviana Agostinho, de 32 anos, que mora na Califórnia. "Adoro essa estética futurista dos Jetsons misturada com objetos dos anos 50", confessa. Para ela, o mais incrível de objetos e moveis antigos é que as pessoas podem até cruzar o mundo atrás de tesouros, mas, muitas vezes, eles estão mais perto do que se imagina. "Basta fazer uma visita para os avós ou para as tias." E acrescentar um charme muito próprio.

 

 

FOTOS | 1. O designer Celso Longo e a ilustradora Veridiana Scartelli no apartamento decorado com móveis estilo retrô. 2. Poltrona pé palito. 3. Cadeiras da cozinha compradas em lojas de móveis usados. 4. Móveis de barbeiro. 5. banheiro retrô. 6. Escrivaninha e espelhos da avó  de Márcia Dutra e arandela de antiquário. 7. A jornalista Márcia Dutra na sala de jantar com cadeiras restauradas. 8. Bia Braune na sala de estar com mesa pé palito e réplica de espelho veneziano. 9. elefantinhos e abajur cogumelo, ícones retrô, do Mercado Livre. 10. Mesa da cozinha comprada em um brechó teve o tampo trocado por fórmica rosa. 11. Lustre dos anos 50, da Filter. 12. Sala do apartamento com poltrona da Camicado, luminária da Filter Mobiliário e gravuras da Galeria Mônica Filgueiras. 13. móvel de madeira da Filter e gravuras da Galeria Mônica Filgueiras. 14. espaço da loja da Neide, decorada com geladeira e mesinha de apoio compradas em antiquário. 15. A estilista Neide Dantas em sua loja. 16. escrivaninha escandinava dos anos 60. 17.  Viviana Agostinho e a rádio-vitrola a valvulas achada em uma loja de rua. Na sala, a lâmpada, o telefone e o papel de parede são todos originais dos anos 60.