A casa e o verde

- O Estado de S.Paulo

Tecnologia, plantas e móveis para integrar lar e meio ambiente

Nem a cor da moda. Nem o tema da estação. Para olhares antenados, o que se assiste em Milão a cada edição da Semana de Design são sutis, mas definitivas, oscilações na forma de se viver a casa.

A tecnologia, por exemplo. Claro que ela veio para ficar. Principalmente em se tratando de um ambiente como a cozinha, o autêntico laboratório da casa. Cada vez mais digitalizada, mas nem por isso desatenta da questão da preservação ambiental, como atesta a Renaissance, da Valcucine.

Por outro lado, nos demais espaços, o visual high tech praticamente desaparece. Ou, ao menos, se esconde. "Ninguém quer mais viver em uma nave espacial; queremos intimidade e conforto", afirma Patricia Urquiola, diante de seu banheiro dos sonhos, criado para a alemã Axxor. Para ela, o ambiente mais íntimo da casa exige funcionalidade, mas também socialização e convivência. "Sejamos claros: é um lugar para ser vivido a dois. Deve, portanto, estar equipado para isso", pontua.

Românticos e acolhedores, entre os dormitórios a aposta é por uma maior sinuosidade e menos cantos e arestas vivas. Nada de armários indiferenciados e mais translucidez, cor e luz. Seja qual for o espaço enfocado, porém, é nítida a preocupação dos designers em resgatar uma convivência de alguma forma perdida com a natureza.

 

O banheiro dos sonhos de Patrícoa Urquiola, criado para a Axxor

Além de acabamentos naturais, tecidos com texturas ressaltadas e, principalmente, móveis in/out - capazes de habitar ambientes externos e internos - vasos, muitos vasos, por toda a casa. Até mesmo nos banheiros. "Por que não?", questiona Patricia Urquiola. "Para quem não pode se ocupar das plantas, é certamente o melhor local para elas", recomenda a arquiteta espanhola.