A cara da dona

YARA GUERCHENZON - O Estado de S.Paulo

Com peças antigas, Marilda Brandão imprime sua marca ao décor

Marilda Brandão, designer que trabalha com cortinas, vive em uma casa de Perdizes há quase 25 anos, ao lado do marido, Zezé, e do filho. "Quando o Juliano era pequeno, resolvemos sair do apartamento para morar numa casa. Como a nossa preferência sempre foi por imóveis antigos, optamos por este, construído em 1936 pela City Pacaembu", conta. Com 400 m² de terreno e 200 m² de área útil, a casa tem três quartos e dois banheiros no andar superior e living, sala de jantar, lavabo e cozinha no térreo, além de jardins na entrada e nos fundos.

Na primeira vez em que Marilda pisou por lá foi para pegar a chave de um sítio que ia alugar. Ficou encantada. "Logo pensei, ?quero morar aqui?. A inquilina, na época, era a atriz Regina Braga, que, por coincidência, estava de mudança. Na mesma hora pedi o telefone do proprietário", lembra. Marilda e o marido conseguiram alugar a casa e começaram a fazer uma série de melhorias em razão do tempo do imóvel. Anos depois, eles compraram a casa e desde então fizeram apenas obras pontuais, adotando cores sóbrias nas paredes do living, por exemplo, e erguendo uma varanda nos fundos, local que passou a ser usado como área de refeições.

A decoração foi tomando forma aos poucos. "Quando viemos para cá, tínhamos poucos móveis. Começamos então a garimpar em lojas de antiguidades, dos lustres às maçanetas", diz Marilda. Peças de família foram transformadas pela designer, caso dos quadros que adornam seu quarto. "Eram vestidos de criança que guardei como lembrança. Apenas mandei emoldurá-los."

Para o living, Marilda teve como inspiração a Paris do início dos anos 70, cidade onde morou com o marido. Lá ela tomou gosto pelo art déco, estilo que se faz presente em parte do mobiliário, como a mesa de centro, que tem tampo de granito preto e pés em formato de bola de madeira maciça. Já os sofás de couro Brigadier, da designer italiana Cini Boeri (da Forma), acentuam o estilo moderno - eles e o par de cadeiras Bertóia, embelezados pelas almofadas criadas pela designer. Ao fundo, a lareira original exibe coleção de estatuetas femininas. No piso, o tapete de fios de náilon em tons bege e azul (da Punto e Filo, por R$ 582,33 o m² em média), um dos poucos itens novos da casa.

Também com ares art déco, a sala de jantar tem mesa dos anos 20 e tampo de mosaico de cerâmica, trabalho feito há 15 anos pela arquiteta Sonia Lorenz (hoje o custo seria de R$ 4.580) - as cadeiras, na cor prata, são da mesma época. Em uma parede lateral, o relógio que Marilda deu de presente ao marido. "Era usado em estação ferroviária, homenagem ao meu sogro, que foi chefe de estação", conta (versão moderna, por R$ 1.680, na Cecilia Dale). Mas não é só: "Gosto do desenho gráfico com inspiração art déco, uso inclusive como base para o meu trabalho", diz. Exemplo é a cortina desse ambiente, de organza de seda pura com apliques de acetato em formato de galhos (modelo semelhante, de 4 m x 2,80 m, por cerca de R$ 4.200).