Teto de vidro amplia área útil de duplex de 47 metros quadrados

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Reforma adicionou um quarto ao apartamento e manteve a sensação de pé-direito duplo na sala

Vista da cozinha a partir do ambiente de estar, tendo acima o segundo pavimento do duplex

Vista da cozinha a partir do ambiente de estar, tendo acima o segundo pavimento do duplex Foto: Zeca Wittner / Estadão

A cena é inevitável. Até hoje não houve um único visitante que não tenha se surpreendido, para dizer o mínimo, ao se ver caminhando, pela primeira vez, pela área transparente do segundo pavimento deste duplex de 69 m² onde vive o arquiteto e designer Murilo Weitz, próximo ao Parque do Trianon, no bairro dos Jardins, em São Paulo.

“Juro que nunca foi minha intenção ‘causar’ com o piso de vidro. Ele foi adotado para resolver um problema técnico. Mas entendo a surpresa das pessoas. Sei lá, acho elas saem da zona de conforto”, brinca Weitz, que ainda se diverte com a reação de muitos.

Ao contrário do que possa parecer, no entanto, a solução radical partiu da simples necessidade de ampliar a área útil do duplex, originalmente com 47 m². “Me agrada contar com um pé-direito duplo e disso não queria abrir mão”, diz o arquiteto, que contou com a parceria do colega Tulio Xenofonte na reforma que durou quase um ano.

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Para ganhar mais um quarto no pavimento superior, a dupla decidiu prolongar o mezanino até o limite da fachada, mas ocupando apenas metade da área disponível. “Mais do que uma solução estética, implantar um piso transparente foi a forma que encontramos para preservar a sensação de altura”, conta Weitz, que, para os mais incautos, não cansa de ressaltar a segurança do projeto. 

“A estrutura de sustentação é a mesma nos dois ambientes, mas a área de vidro foi implantada por empresa especializada. Tenho certificado de segurança assegurando que o material resiste ao peso e, em caso de choque, não forma estilhaços”, explica Weitz, que se confessa plenamente satisfeito com a solução. “De uma forma ou de outra, tudo no apartamento gira em torno dessa plataforma de vidro. Tudo fica à mostra, participa o tempo todo”, afirma ele, que, nesse sentido, procurou dotar os interiores de soluções simples, mas eficazes, para conciliar estética e economia de espaço. 

Assim, a escada caracol original do imóvel foi mudada de lugar e integrada ao desenho do hall de entrada. A cozinha foi aberta e hoje convive com o living. A área de serviço praticamente desapareceu, passando a maior parte do tempo embutida dentro de um armário que ocupa parte do lavabo. 

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Também no projeto de decoração, a ordem foi eliminar todo e qualquer desperdício: o avanço do piso para ampliar a cozinha, por exemplo, foi aproveitado com a criação de nichos para armazenamento de pequenos objetos. O prolongamento de um degrau que separa o nível do hall de entrada da sala, deu origem a um rack de apoio, abaixo da televisão. No quarto, uma mesa serve de apoio para o café da manhã e também para o laptop.

Em síntese, um só desejo: “Queria compor algo simples e elegante”, declara Weitz. “Sou muito interessado em geometria e investi nisso na decoração. Em geral, acho que as pessoas também gostam e isso é importante. Afinal, não decorei minha casa só para mim, mas para todo mundo de quem gosto”, conclui.

Zeca Wittner / Estadão
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