Ruy Ohtake participa de conferência e ganha mostra fotográfica na Suíça

Marcelo Lima - O Estado de São Paulo

Convidado especial de fórum que acontece paralelamente à feira de arte Art Basel, arquiteto comenta sua obra

Centro cultural em Jacareí, interior de São Paulo

Centro cultural em Jacareí, interior de São Paulo Foto: divulgação

Mestre na arte de misturar formas e cores para criar obras capazes de surpreender, o arquiteto Ruy Ohtake é o convidado especial da 4.ª edição do Laufen Forum: um painel anual formado por arquitetos e pesquisadores que acontece paralelamente à feira Art Basel, na Suíça, e se propõe a discutir possíveis conexões entre dois temas bastante caros à sua trajetória – arte e arquitetura. 

No programa, além de uma conferência, no dia 16, em que vai abordar alguns dos projetos mais significativos de sua carreira, como o prédio do Instituto Tomie Ohtake e os edifícios “redondinhos” em Heliópolis, Ruy confere a abertura de uma exposição de fotografias de seus trabalhos assinadas por Paul Clemence. Assuntos que ele comenta nesta entrevista exclusiva ao Casa.

É a primeira vez que visita a feira Art Basel? Como será sua participação?

Será minha primeira visita. Pretendo me concentrar em projetos como o do Instituto Tomie Ohtake, no qual o uso do alumínio possibilitou a obtenção de uma fachada ondulante, realçada pela cor. Além disso, estou curioso para conferir as fotos de Paul Clemence. 

O arquiteto paulistano Ruy Ohtake

O arquiteto paulistano Ruy Ohtake Foto: divulgação

A mesa Sinfonia, um dos projetos de design de Ruy Ohtake

A mesa Sinfonia, um dos projetos de design de Ruy Ohtake Foto: divulgação

A propósito, qual importância o senhor atribui à cor na arquitetura e na sua obra?

É um elemento fundamental. Integra nosso cotidiano desde o período colonial, como percebemos em cidades como Ouro Preto, Paraty e Olinda. Procuro utilizá-la sempre dentro de uma abordagem contemporânea. Em Jacareí, projetei um centro cultural onde as formas ganham destaque ainda maior pelo simples uso de tons do vermelho, distribuídos em faixas. Simbolicamente, um brado no Vale do Paraíba.

Conjugar cores e formas é uma preocupação perceptível também nos “redondinhos” de Heliópolis, em São Paulo. Como se deu a experiência?

Foi um trabalho amplamente discutido com a comunidade. Formulei um edifício circular, com quatro apartamentos por andar. O próprio formato circular separa melhor um bloco do outro e, com isso, a ventilação e a insolação são permanentes em todos os apartamentos. Atributos espaciais que muitas das famílias locais jamais haviam tido oportunidade de desfrutar. São detalhes, mas que representam grandes transformações em termos de dignidade e cidadania para eles. Sempre que posso passo por lá e tomo um cafezinho no apartamento de um ou outro morador.

Os edifícios residenciais "Redondinhos", em Heliópolis

Os edifícios residenciais "Redondinhos", em Heliópolis Foto: divulgação