Talentos emergentes são destaque em feira francesa de design

Marcelo Lima - O Estado de S.Paulo

Maison & Objet apresenta duas vezes por ano, em Paris, novidades para casa

Vasos dos irmãos Bouroullec 

Vasos dos irmãos Bouroullec  Foto: divulgação

A Maison & Objet é uma feira de decoração e design que acontece duas vezes ao ano, em janeiro e setembro, no Parque de Exposições de Villepinte, em Paris. Para além da oferta de expositores – que em sua última edição reuniu 3.000 representantes de 64 países –, a feira tem se destacado ao longo dos anos por sua intensa programação de mostras e eventos. Todos montados com o objetivo primordial de atestar a vitalidade da criação contemporânea. 

Famoso por suas instalações imersivas, o teamLab, um grupo criativo coletivo e interdisciplinar baseado no Japão, mostrou, mais uma vez, como a decoração e as novas tecnologias digitais podem engatar parcerias para lá de inspiradoras. Batizada de Floresta de Lâmpadas, a instalação apresentada em setembro era composta por centenas de luminárias de vidro de Murano, equipadas com LEDs e sensores, que pareciam se comunicar por meio de cor e movimento. 

Mais uma vez a feira francesa abriu espaço para jovens profissionais – ou estúdios – em ascensão no mercado, com o objetivo de colocá-los em contato com profissionais de todo o mundo. Este ano foram seis os estúdios selecionados. Todos franceses.

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Fundado em Paris, em 2013, por Amandine Chhor e Aïssa Logerot, o AC/AL Studio, reúne dois graduados da École Nationale Supérieure de Création Industrielle – Les Ateliers, que colaboraram ativamente em projetos de assistência e desenvolvimento em países como Camarões, Camboja e Marrocos. 

Trabalhando indistintamente com produtos artesanais ou industrializados, o estúdio tem se notabilizado pelo enfoque minimalista de suas peças. Como na coleção Èpure, desenhada para a Kann Design, que traz estantes e mesas secas, depuradas, estritamente funcionais, nas quais a linha funciona tanto como elemento gerador quanto como estruturante do desenho.

Também pós-graduado em design pela Les Ateliers, Pierre Charrié, outro convidado, realiza trabalhos de investigação sobre a dimensão sensorial dos objetos de uso cotidiano. A ele interessa, sobretudo, saber como som, movimento ou toque podem envolver o usuário na interação com cada uma de suas criações. 

Da sua colaboração com o especialista em arte plumária francês Julien Vermeulen nasceu um dos objetos mais inusitados da mostra: Nuto, um difusor de perfume que consiste de uma base de mármore, um motor, um eixo de carbono e uma pena de avestruz, que naturalmente espalha o perfume pulverizado pelo motor, em um movimento lento, quase hipnótico.

Com cada um de seus membros se aprofundando, cada vez mais, em seu domínio de interesse – Désormeaux mais interessado em inovação; Carrette mais no aspecto decorativo –, o estúdio Désormeaux/Carrette nasce da aliança de dois designers de produtos: Natanael Desormeaux e Damien Carrette. Com base em suas habilidades, a dupla prefere exercitar o design junto a fabricantes abertos a uma abordagem mais artística do objeto. Como ocorre na cadeira Knot, que dispensa parafusos ou porcas para realizar a junção entre assento e estrutura.

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Por fim, os consagrados designers Erwan e Ronan Bouroullec, a versão francesa dos nossos Fernando e Humberto Campana, compareceram à mostra oficial com mais uma série de vasos para a alemã Vitra: os poéticos Nuage, (nuvem, em francês). Produzidos com alumínio, cada um deles com oito tubos na parte superior, foram pensados, segundo os designers, para não interferir, ao menos não em demasia, na visualização dos arranjos. “Basicamente para colocar em destaque a delicadeza das hastes e flores. Nada mais”, pontua Erwan.

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